Profissionalização da Gestão nas Cooperativas do Paraná
Cooperativas no Paraná estão adotando uma gestão profissionalizada que separa as funções dos conselhos eleitos dos executivos contratados, acompanhando o crescimento do setor sem perder o controle local. Essa mudança permite que dirigentes eleitos pelos associados definam estratégias e fiscalizem resultados, enquanto profissionais focam nas operações diárias. O modelo reforça a eficiência sem comprometer a proximidade com os cooperados, conforme dados da Gazeta do Povo.
Expansão e Estrutura da Central Cresol Baser
O cooperativismo brasileiro movimentou R$ 848 bilhões e conta com 29 milhões de associados em 2025. No Paraná, a Central Cresol Baser, localizada em Francisco Beltrão, reúne cerca de 600 mil associados. Alzimiro Thomé, presidente do Conselho de Administração, dedica grande parte do seu tempo a visitar cooperativas e manter contato direto com os associados, percorrendo até 6 mil quilômetros por mês. Essa rotina é possível porque a gestão cotidiana está a cargo de executivos contratados, liberando os líderes eleitos para focar em estratégias e demandas dos cooperados.
Desde sua fundação em 1996, com apenas 27 agricultores e R$ 720 de capital inicial, a Cresol cresceu para mais de 1,2 milhão de associados, 54 cooperativas singulares e cerca de 1.070 agências em 20 estados. A expansão trouxe desafios, como a necessidade de atender moradores urbanos e empresas, demandando equipes especializadas. A separação clara entre conselhos e diretorias executivas foi formalizada em 2015 nas primeiras cooperativas e, em 2018, na Central Cresol Baser.
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Fonte: cidaderecife.com.br
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Fonte: amapainforma.com.br
Reorganização na Lar Cooperativa Agroindustrial
A Lar Cooperativa Agroindustrial, de Medianeira, encerrou 2025 com receita líquida de R$ 23,2 bilhões, crescimento de 14,4% em relação ao ano anterior. Com 17 mil famílias associadas e 27 mil funcionários, é a quinta maior empresa do Sul do Brasil. Em agosto, seus associados aprovaram mudança estatutária para 2027, reduzindo o Conselho de Administração de nove para sete membros, que ficarão responsáveis por decisões estratégicas e fiscalização. A gestão diária será conduzida por uma diretoria executiva contratada, subordinada ao conselho.
Irineo da Costa Rodrigues, líder da Lar há 36 anos, explica que a proximidade com os públicos exige muito tempo. A nova estrutura permitirá que os conselheiros eleitos se concentrem em decisões sobre o futuro do negócio e no contato com agricultores, enquanto os executivos gerenciam as operações cotidianas.
Riscos de Gestão e a Necessidade de Profissionalização
Históricos problemas no cooperativismo evidenciam o impacto negativo de falhas administrativas. Nos anos 1990, a Cotia e a Coopagro encerraram suas atividades devido a dificuldades de gestão e instabilidade econômica. Mais recentemente, a Piá, do Rio Grande do Sul, acumulou dívidas superiores a R$ 200 milhões e paralisou a produção.
O economista Ricardo Rippel, da Unioeste, destaca que a profissionalização deve ir além dos executivos contratados, incluindo a capacitação dos conselheiros responsáveis pela supervisão dos negócios para garantir decisões mais sólidas. O modelo de dupla governança distribui as responsabilidades sem retirar dos cooperados o poder exercido nas assembleias e conselhos.
Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB, reforça que as cooperativas existem para servir seus associados e precisam manter as pessoas no centro das decisões, equilibrando eficiência administrativa e controle local.

