Riscos climáticos pressionam safra de soja no Paraná
O ciclo da safra de soja 2026/27 no Paraná enfrenta desafios significativos devido ao excesso de chuvas durante o plantio e à possível influência do fenômeno El Niño ao longo do desenvolvimento das lavouras. Um estudo da Serasa Experian, divulgado em 28 de outubro, aponta que um episódio intenso do El Niño pode reduzir a produção estadual em 2,3 milhões de toneladas, comparado a um cenário com condições climáticas neutras.
O impacto previsto posiciona o Paraná como o terceiro estado com maior redução em volume no país, atrás apenas de Mato Grosso e Goiás. A projeção nacional indica uma queda de 9,7% na produção de soja frente ao potencial esperado em condições climáticas normais.
Chuvas já afetam plantio e podem atrasar colheita
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), até 26 de outubro, 62% dos 5,74 milhões de hectares destinados à soja no Paraná já estavam plantados. As fortes precipitações de início de novembro atingiram regiões onde a semeadura já havia avançado, além de prejudicar áreas ainda não cultivadas devido ao encharcamento do solo.
O solo saturado dificulta a entrada de máquinas e pode atrasar a implantação das lavouras. Nas áreas recém-semeadas, a preocupação maior é com o estabelecimento das plantas, que pode ser comprometido, demandando replantio.
Impactos do excesso de chuva no solo e custo do replantio
O engenheiro agrônomo Giuseppe Marcantonio, especialista em perícia judicial, explica que chuvas intensas podem causar compactação e selamento do solo, especialmente em áreas descobertas, dificultando o manejo agrícola no momento correto. A decisão de replantar depende da redução da população de plantas e do potencial produtivo remanescente da lavoura.
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O custo com sementes para replantio pode chegar a R$ 600 por hectare, considerando o preço da soja em R$ 130 por saca, equivalente a cerca de 4,6 sacas por hectare. Este valor não inclui outros insumos e serviços, como combustível, fertilizantes e inoculação, o que pode elevar o custo total e afetar a margem dos produtores.
El Niño e seus efeitos na produtividade e no manejo
Historicamente, o fenômeno El Niño traz chuvas mais frequentes ao Sul do Brasil, o que pode prejudicar a soja tanto pelo excesso de umidade quanto pela redução da luminosidade. A menor exposição à luz solar pode prolongar a fase vegetativa, enquanto condições úmidas aumentam o risco de doenças e dificultam o acesso para o manejo adequado.
Nas regiões de Campo Mourão e Oeste paranaense, onde a semeadura inicia em setembro, a preocupação se estende à colheita. Chuvas persistentes em janeiro podem atrasar a retirada da safra e comprometer a qualidade dos grãos, elevando riscos de ardidos e mofados.
Temporais recentes causam danos a propriedades e moradores
Entre 1º e 2 de novembro, temporais com chuva intensa, vento e granizo afetaram principalmente o Noroeste, Oeste e Centro-Sul do Paraná. A Defesa Civil Estadual registrou 1.277 pessoas atingidas e 350 residências danificadas em 17 municípios.
Em Maringá, ventos de 96,3 km/h foram registrados pelo Simepar no aeroporto local, levando a prefeitura a decretar estado de calamidade pública. Em Marquinho, granizo danificou 270 casas e impactou 1.080 moradores. Já em Mercedes, cerca de dez propriedades rurais sofreram danos, com prejuízos superiores a R$ 600 mil em uma cooperativa. A prefeitura local levantou a possibilidade de tornado, que ainda não foi confirmado pelo Simepar.
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As estações meteorológicas indicaram volumes elevados de chuva em poucas horas: Palotina acumulou 65,2 mm, Cianorte 62,8 mm, Inajá 57,2 mm e Maringá 51,8 mm entre a meia-noite e 8h do dia 2 de novembro. O levantamento aponta ainda risco de ciclone extratropical e supercélulas para a semana seguinte.
Impactos financeiros e orientações para produtores
O aumento dos custos com replantio e a possível redução da produtividade podem comprometer o fluxo financeiro das propriedades. O advogado especialista em direito do Agronegócio, Raphael Condado, destaca a importância de documentar os danos para pleitear coberturas e renegociações de crédito rural.
Documentos como laudos técnicos, fotos com data e localização, registros meteorológicos e decretos municipais de emergência são essenciais. Produtores com seguro rural ou Proagro devem seguir os procedimentos e prazos para comunicação dos sinistros, evitando intervenções na área antes da vistoria para não prejudicar a comprovação dos danos.
Casos que afetem a capacidade financeira podem justificar pedidos formais de prorrogação de financiamentos, conforme o Manual de Crédito Rural e a Súmula 298 do Superior Tribunal de Justiça. É recomendado que essas solicitações sejam feitas por escrito, com documentação que comprove os impactos, preferencialmente antes do vencimento das obrigações.
Decisões técnicas guiam caminhos da safra 2026/27
A avaliação precisa das condições de cada área será determinante para dimensionar os prejuízos, definir a necessidade de replantio e ajustar os custos do ciclo 2026/27. Acompanhar o clima e registrar os danos são ações fundamentais para a gestão produtiva e financeira das propriedades paranaenses.

