Transtornos Emocionais e o Impacto no Peso Corporal
Pesquisas recentes mostram que a ansiedade e a depressão podem modificar o funcionamento do organismo, influenciando diretamente o peso de algumas pessoas. No Paraná, esse cenário ganha destaque com o aumento de atendimentos em saúde mental. Em 2025, a rede de saúde mental do estado registrou 2.551.463 atendimentos, um crescimento de 19% em relação aos 2.144.086 atendimentos de 2024, conforme dados da Agência Estadual de Notícias divulgados em 21 de abril de 2026.
Desde 2020, especialistas vêm estudando como essas condições emocionais afetam o organismo. A médica Márcia Simões, da Eden Clinic, explica que a ansiedade eleva os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, o que pode desacelerar o metabolismo e dificultar a queima de gordura.
O Funcionamento do Corpo Diante do Estresse
Segundo o Jornal da USP, o estresse crônico mantém o cortisol elevado, interferindo no metabolismo e no armazenamento de energia. Um pesquisador em neuroendocrinologia ouvido pela publicação destaca que o aumento desse hormônio pode intensificar a vontade de consumir alimentos ricos em açúcar e gordura, como doces e frituras.
Uma pesquisa da Revista da Escola de Enfermagem da USP revelou uma relação entre ansiedade, qualidade do sono e compulsão alimentar em adultos com sobrepeso ou obesidade. O estudo identificou que 60% dos avaliados apresentaram episódios de compulsão alimentar, medida pela escala ECAP. Os autores sugerem que a ansiedade e sintomas depressivos influenciam a conexão entre insônia e episódios de compulsão alimentar, possivelmente devido a alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que afetam a regulação do apetite em pessoas estressadas.
Relação Bidirecional entre Obesidade e Saúde Mental
O Hospital São Francisco Xavier (FSFX) aponta que a conexão entre obesidade e alterações psicológicas é complexa e bidirecional. Sintomas como desânimo, perda de interesse e mudanças no apetite podem comprometer o autocuidado, facilitando o ganho de peso.
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No entanto, nem todos apresentam aumento de peso. Fontes indicam que episódios depressivos podem causar tanto aumento quanto perda de apetite, e as razões para essas diferenças ainda não estão completamente esclarecidas. O site português Trofa Saúde destaca que o comportamento alimentar varia conforme o quadro emocional do indivíduo.
Variações nos Efeitos da Ansiedade e Depressão
Um blog da Marjan Farma menciona que ansiedade de curta duração tende a reduzir o apetite de forma aguda. Outros estudos apontam que transtornos emocionais podem levar tanto a um maior consumo alimentar quanto a perda de peso involuntária.
O endocrinologista Alexandre Acuña alerta que alguns antidepressivos têm como efeito colateral o aumento de peso. A Linha de Cuidado às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa-PR), em documento de 2022, inclui transtornos de ansiedade e transtorno bipolar entre as condições associadas ao ganho de peso.
Dados da Rede de Saúde Mental no Paraná
Além dos atendimentos, o Paraná conta com uma estrutura composta por 1.651 leitos em hospitais psiquiátricos especializados e 73 leitos em hospitais gerais para saúde mental, conforme informações da Agência Estadual de Notícias.
A Sesa informou em 10 de outubro de 2025 que a rede inclui 160 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), 45 ambulatórios, 14 serviços residenciais terapêuticos, 6 Unidades de Acolhimento e 7 Serviços Integrados de Saúde Mental (SIMPR). Esses serviços atendem casos de depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e problemas relacionados ao uso de crack, álcool e outras drogas.
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De acordo com a Sesa, mulheres são mais afetadas por depressão e ansiedade, enquanto homens apresentam maior incidência de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e uso de substâncias.
Internações e Impactos da Pandemia
Um estudo da Revista Cereus, publicado em 2026, com dados do Observatório de Saúde do UMANE, indicou que o Paraná registrou entre 2020 e 2024 taxas de internação por depressão que variaram de 17,4 a 23 por 100 mil habitantes, com pico em 2023. Os autores associam esse aumento aos efeitos diretos e indiretos da pandemia de Covid-19.
Próximos Passos na Atenção à Saúde Mental
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná projeta que, até 2026, as 22 Regionais de Saúde receberão treinamento no manual mhGAP, da Organização Mundial da Saúde (OMS). O programa visa capacitar 480 profissionais multiplicadores para apoiar equipes da Atenção Primária na identificação e no cuidado de pessoas com depressão, ansiedade e outras condições de saúde mental.
Esse avanço é crucial para ampliar o alcance do atendimento e garantir respostas mais eficazes diante dos desafios emocionais que impactam a população.

