Decisão na Câmara adia avanços culturais em Londrina
Na sessão realizada na última terça-feira (14), a Câmara Municipal de Londrina rejeitou, por 10 votos a 8, o regime de urgência para o plano municipal de cultura 2026-2036. Com isso, o projeto, que define as diretrizes para a cultura na cidade para a próxima década, seguirá tramitando pelas comissões em um ritmo burocrático mais lento. A consequência imediata dessa decisão foi a perda do prazo para adesão a um programa estadual de fomento, que exigia a aprovação da lei até a quarta-feira (15).
Propostas do plano e rejeição marcada por visão restrita
O plano não trazia propostas revolucionárias, mas apresentava medidas importantes, como o aumento do orçamento da secretaria de cultura para 3% da receita corrente. Atualmente, a verba está por volta de R$ 17,6 milhões, com previsão de alcançar R$ 33 milhões em dez anos caso o plano seja aprovado. Além disso, o projeto previa a criação de uma comissão para viabilizar a conclusão do teatro municipal e o aporte de mais recursos para o promic, iniciativas que fortalecem artistas, produtores e espaços culturais, além de beneficiar diretamente o público consumidor e vivenciador da cultura local.
No entanto, para dez vereadores, a cultura ainda é vista como um luxo ou algo supérfluo. Expressões como “coisa de artista” e “não é prioridade” foram usadas para justificar o voto contrário, reforçando a ideia de que a população estaria mais interessada em melhorias como asfalto, saúde e educação. Essa percepção reforça um discurso que ignora o papel da cultura como elemento fundamental para a cidade, especialmente quando comparada a outras áreas consideradas prioritárias.
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O contraste entre discurso e prática na Câmara Municipal
O que chama atenção não é apenas a rejeição do regime de urgência, mas o tom frequente de desdém que alguns vereadores demonstram em relação à cultura. Quando o assunto envolve teatro, música, dança, literatura, patrimônio ou apoio a produtores locais, a cultura é desqualificada como “gasto inútil” ou “mimimi”. Por outro lado, quando eventos culturais se relacionam a campanhas políticas, passam a ser vistos como investimentos na população.
Esse descompasso revela um ódio seletivo por parte dos vereadores. A mesma Câmara que demora para votar um plano cultural a longo prazo costuma agir com rapidez em pautas que atendem a interesses políticos imediatos. Enquanto isso, a população de Londrina, mesmo sem usar explicitamente o termo cultura, frequenta festivais, teatros, eventos de música local, bibliotecas e apoia artistas de rua, mostrando uma relação cotidiana com as manifestações culturais.
Cultura como política pública e identidade local
A rejeição da urgência não impede que o Plano Municipal de Cultura avance futuramente, mas sinaliza claramente que para parte dos vereadores a cultura não figura como prioridade, mesmo diante de recursos estaduais disponíveis. Essa postura revela mais sobre a concepção que esses representantes têm da cidade do que sobre o projeto em si.
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Cultura é muito mais que um complemento; trata-se de política pública essencial, que envolve identidade, memória, economia criativa, saúde mental, educação não-formal e coesão social. Além disso, movimenta a economia local. Quando a cultura é tratada como secundária, toda a cidade sofre impactos negativos em seu desenvolvimento social e econômico.
Em Londrina, marcada pela presença da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e por uma diversidade cultural crescente, a valorização da cultura é fundamental para fortalecer a identidade local e ampliar o acesso da população a manifestações artísticas e culturais.

