Hip-hop conquista cadeira no Conselho Municipal de Política Cultural
O movimento hip-hop de Londrina alcançou um marco importante ao garantir uma cadeira no Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), órgão que debate e acompanha as políticas públicas culturais da cidade. A representação ficará a cargo do professor e integrante do Centro de Direitos Humanos de Londrina, Márcio Teixeira, como titular, e da dançarina, DJ e produtora cultural Polly Casoti, como suplente.
Mobilização e participação jovem nas batalhas de rima
Essa conquista é fruto de uma articulação construída por lideranças das batalhas de rima e outros membros da cena hip-hop local. Márcio destaca que, antes da mobilização, foi fundamental apresentar aos jovens participantes das batalhas o funcionamento do Conselho e a importância de ocupar esses espaços de formulação e fiscalização das políticas culturais.
Segundo ele, “a galera das batalhas de rima não deve ficar só no submundo, só no underground. Eles se politizam e buscam estudar”. A própria cena colaborou para organizar a presença na votação, mostrando o engajamento direto dos artistas e produtores.
Fortalecimento da presença do hip-hop nas políticas culturais
Para Márcio, ocupar o Conselho representa ampliar a voz do hip-hop nas discussões culturais do município, fortalecendo a participação dos artistas e produtores ligados ao movimento. Embora a presença do hip-hop no Conselho não seja inédita, ele ressalta que ainda há uma necessidade constante de reivindicar esses espaços devido à marginalização histórica dentro da produção cultural de Londrina.
Ele aponta que o hip-hop ainda é marginalizado na cultura local, mas a ocupação da cadeira busca evidenciar sua dimensão artística e cultural, que envolve diversas linguagens e mobiliza públicos que frequentemente não têm acesso a eventos pagos.
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Batalhas de rima e outras expressões culturais do hip-hop
As batalhas de rima são exemplo de atividades realizadas gratuitamente em várias regiões de Londrina, com eventos que ocorrem até diariamente. “O movimento hip-hop, as batalhas de rima que acontecem, uma por dia, até mais de uma por dia em Londrina. Por isso é tão importante estar dentro do Conselho de Cultura, a gente quer mostrar que a cultura Londrina não é só balé, música e teatro. Tem arte sendo feita de graça, com um público fiel e que aprecia o movimento cultural do hip-hop”, afirma Márcio.
Ele reforça que a representação no Conselho não se limitará às batalhas de rima, contemplando também MCs, B-Boys e B-Girls, grafiteiros e DJs, buscando dialogar com toda a cena hip-hop local.
Pautas e desafios para o hip-hop na política cultural
Entre as demandas que serão levadas ao Conselho estão questões sobre infraestrutura das batalhas, critérios e processos dos editais culturais, além da ausência de novos editais de premiação voltados às batalhas. Márcio também pretende discutir as dificuldades do movimento para acessar o Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Ele destaca que a principal campanha será o reconhecimento do hip-hop como arte, e não apenas como um estilo de vida ou “rolê”. “O hip-hop é arte, ele não é um rolê”, enfatiza.
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Ampliação da participação política e cultural da juventude
A atuação no Conselho é vista como uma oportunidade para aproximar a juventude das políticas públicas e fomentar a participação política do movimento. Muitos MCs estão na universidade e passam por processos de politização nas batalhas, apontando para um futuro mais engajado.
A expectativa é que essa representação fortaleça o movimento dentro da política cultural de Londrina, ampliando o acesso às políticas públicas e incentivando a participação dos integrantes da cena nas decisões culturais.
Atuação conjunta e perspectivas para o futuro
A cadeira será ocupada por Márcio Teixeira, como titular, e Polly Casoti, como suplente, que atuarão de forma conjunta. “A gente vai lutar junto, de braços dados, para conseguir fazer dar certo”, afirma Márcio.
O objetivo é promover o crescimento do hip-hop, estimular a politização dos envolvidos e ampliar o número de pessoas engajadas na cena cultural da cidade.

