Tributo ao maestro Roberto Tibiriçá no Guairão
Na noite da última quinta-feira (8), a Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) reuniu mais de mil espectadores no Guairão, em Curitiba, para um concerto marcado pela emoção e pela homenagem ao maestro Roberto Tibiriçá. Regente titular e diretor musical da Orquestra desde 2022, Tibiriçá faleceu no último sábado (3), aos 72 anos. Esta foi a primeira apresentação da OSP sem sua liderança, que agora abre caminho para uma nova fase, com a viagem da Orquestra à China, onde se apresentará nos dias 17 e 19 de outubro, em Xangai.
Legado cultural e emoção entre o público
O concerto não só celebrou a trajetória do maestro, mas também destacou a importância do legado que ele deixou para a música e para a cultura paranaense. Frequentador assíduo das apresentações, o analista logístico Thiallis da Silva guardava com carinho todos os programas da Orquestra. Para ele, a homenagem foi um momento especial: “Não perco um concerto da Orquestra, e este foi muito especial, em homenagem ao maestro. Ele merece. Foi brilhante, mas, ao mesmo tempo, foi triste ver a Orquestra sem o Tibiriçá. A vida continua, e precisamos seguir em frente.”
Entre os jovens presentes, a estudante Julia Oshikawa, de 16 anos, compartilhou a experiência de assistir ao concerto pela primeira vez: “Foi muito diferente, maravilhoso estar aqui, uma das coisas mais lindas que vi na minha vida. Eu não conhecia o maestro, mas achei bem bonita a homenagem.” O colega Pedro Henrique Borges, também de 16 anos, ressaltou o efeito calmante da música da Orquestra e a beleza da homenagem.
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Reconhecimento da importância do maestro para Curitiba
Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, ressaltou a influência do maestro na cidade: “Ele deixou um legado muito grande. Foi uma pessoa que abraçou Curitiba e nos abraçou. Estamos todos muito emocionados nesta noite.” A aposentada Bernadete Simas Nascimento Pontarolli, frequentadora da OSP, também afirmou que a homenagem foi merecida e expressou otimismo em relação à recepção da Orquestra na China, destacando a força do repertório brasileiro, especialmente Villa-Lobos.
Repertório brasileiro para o público chinês
O concerto trouxe obras de compositores brasileiros relevantes: “Abertura Concertante”, de Mozart Camargo Guarnieri; “Bachianas Brasileiras nº 4”, de Heitor Villa-Lobos; e “Sinfonia em sol menor”, de Alberto Nepomuceno. Essas peças compõem o repertório que será levado para Xangai sob a regência do maestro convidado Roberto Ramos.
A participação da OSP no China Shanghai International Arts Festival (CSIAF) integra a programação oficial do Ano Cultural Brasil-China 2026, uma iniciativa do Ministério da Cultura. Essa oportunidade amplia a visibilidade da produção artística paranaense no cenário internacional e apresenta a música de concerto brasileira ao público chinês.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Reconhecimento e apoio institucional
A secretária estadual da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, destacou que a apresentação da Orquestra será o encerramento da programação oficial do festival: “Será a grande cereja do bolo.” O projeto conta com recursos do Programa Paraná Competitivo e apoio da Volkswagen do Brasil, sendo realizado pelo Governo do Estado do Paraná, Secretaria de Estado da Cultura, PalcoParaná e Centro Cultural Teatro Guaíra.
Concerto didático aproxima crianças da música clássica
Pela manhã do mesmo dia, a Orquestra realizou um concerto didático gratuito também no Guairão, reunindo mais de 1.500 pessoas, entre crianças, jovens, adultos e pessoas atendidas por instituições sociais da região. Sob a regência de Roberto Ramos, o evento apresentou os instrumentos e o funcionamento de uma orquestra, aproximando o público da música sinfônica.
A estudante Maria Vicente, de 10 anos, destacou a profundidade da experiência: “Achei muito legal. Senti muita alegria em ver tanta gente talentosa como eles. Ele explicou muito claramente. Cada instrumento é muito importante para tudo o que forma a música.” Já Ítalo Carvalho, de 9 anos, contou que a paixão pela música clássica começou com a obra “Pedro e o Lobo”, incentivada pela família, e que a experiência no concerto reforçou seu interesse.

