Fim da escala 6×1 traz preocupação para setores econômicos do Paraná
A decisão de encerrar a escala de trabalho 6×1 no Paraná, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas com dois dias de descanso remunerado, gera apreensão entre empresários de segmentos estratégicos, como bares, restaurantes e construção civil. A Emenda Constitucional 141, aprovada pelo Senado com 75 votos a favor e um contra, e promulgada pelo Congresso Nacional no dia 16, determina a aplicação gradual das mudanças, garantindo que não haja redução salarial. As novas regras começam a valer 60 dias após a promulgação.
Aumento de custos no setor de alimentação fora do lar
Para bares e restaurantes, a medida representa um aumento significativo nos custos com mão de obra. A redução do número de dias trabalhados pode levar à necessidade de contratar mais funcionários para manter o atendimento e funcionamento dos estabelecimentos. Luís Fernando Menuci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Paraná (Abrasel-PR), projeta um reajuste de pelo menos 7% nos preços dos cardápios. “Se a gente está aumentando em vinte por cento a mão de obra e transformando de sete dias para cinco, considerando que cerca de trinta por cento do nosso setor é mão de obra, o preço final no cardápio terá no mínimo sete por cento de aumento”, explica Menuci.
Impacto na construção civil pode atrasar entregas
No segmento da construção civil, a redução da jornada também preocupa. O setor, que já enfrenta escassez de mão de obra, terá que lidar com menos horas produtivas por trabalhador, exigindo ajustes na organização das equipes e nos cronogramas das obras. Gustavo Selig, empresário do setor, destaca que serão necessárias adaptações rápidas para manter o ritmo de produção. “Vamos ter que reduzir praticamente duas horas no setor produtivo, que já está carente de mão de obra. Essa adaptação será um gargalo, exigindo reorganização da equipe ou dos prazos das construções”, afirma.
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Implementação gradual da nova jornada
A mudança será feita em etapas. Durante os primeiros 60 dias após a publicação da emenda, as empresas deverão se preparar para a nova escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado. Após esse período, a jornada máxima semanal será reduzida para 42 horas. A redução definitiva para 40 horas ocorrerá 12 meses depois, totalizando 14 meses de transição.
A cerimônia de promulgação da emenda contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos). O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, votou a favor da proposta, mas não participou da solenidade.
Expectativas por apoio do governo para amenizar impactos
O comércio, especialmente, teme que o curto prazo para adaptação coincida com o período de maior movimento nas vendas de fim de ano, o que pode agravar os desafios financeiros. Marcos Malhadas, coordenador do Conselho de Relações Trabalhistas da Associação Comercial do Paraná (ACP), destaca que a emenda prevê a possibilidade de o governo federal criar uma lei complementar para mitigar os efeitos da mudança. “Esperamos que o governo anuncie medidas para tranquilizar o mercado de trabalho”, comenta Malhadas.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Além disso, a emenda abre espaço para medidas específicas voltadas a pequenos negócios, cuja definição dependerá de nova legislação complementar. Enquanto isso, setores como bares, restaurantes e construção civil seguem avaliando os impactos diretos nas operações, nos preços ao consumidor e nos prazos de entrega, buscando alternativas para equilibrar custos e produtividade durante a transição.

