Desafios dos Nematoides na Agricultura Paranaense
Amarildo Agnolin, presidente do Sindicato Rural de Nova Cantu, no Centro-Oeste do Paraná, enfrenta um problema grave em uma de suas áreas de soja: a estimativa é de perda de até 40% da produção devido à infestação por nematoides. Esses vermes microscópicos atacam as raízes das plantas, comprometendo a absorção de água e nutrientes, o que pode levar as plantas a murcharem, apodrecerem e morrerem.
Esse desafio não se restringe a Nova Cantu. Silvio Marcolina, presidente do Sindicato Rural de Coronel Vivida, no Sudoeste do Paraná, relata que vários produtores da região já tiveram prejuízos significativos causados por nematoides, especialmente na soja. Segundo ele, os nematoides não apenas danificam as raízes, mas também abrem caminho para outras doenças radiculares, podendo dizimar lavouras inteiras quando não controlados.
Conhecendo a Tecnologia de Análise Avançada do Solo
Durante uma viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP aos Estados Unidos, um grupo de 40 produtores rurais visitou os laboratórios da EarthOptics, em São Francisco, Califórnia. Essa empresa desenvolve uma tecnologia única que detecta nematoides, além de fungos e bactérias no solo, algo fundamental para agir rapidamente e evitar maiores perdas nas plantações.
Pedro Barbieri Castanho, diretor de Operações e Vendas da EarthOptics no Brasil, destaca que a tecnologia permite identificar problemas no solo antes que eles se manifestem visivelmente nas plantas. Um caso citado foi a recuperação de uma plantação afetada por nematoides de galha graças à intervenção rápida baseada no laudo detalhado da empresa.
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Como a Análise Detalhada do Solo Ajuda na Tomada de Decisão
Vanessa Reinhardt, coordenadora de Assistência Técnica e Gerencial do Sistema FAEP, explica que a análise realizada pela EarthOptics vai além da contagem tradicional de organismos no solo. A tecnologia consegue detectar a presença e diversidade de nematoides mesmo quando estão em baixa quantidade, o que é crucial para prevenir danos futuros.
Além disso, a análise inclui a identificação completa da microbiota do solo, oferecendo ao produtor uma visão ampla das características do terreno. Com essas informações, é possível definir estratégias específicas, como estimular organismos predadores de nematoides ou usar coberturas que ajudam no controle dos parasitas, adaptando a solução a cada caso.
Experiências Locais e a Busca por Tecnologias Acessíveis
Marcos Minghini, presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Claro, lembra que nematoides já causaram problemas no passado, principalmente na cultura do café. Ele ressalta a importância de laboratórios capazes de realizar exames biológicos detalhados para orientar os produtores sobre as melhores tecnologias para o controle dessas pragas.
De volta ao Paraná, Amarildo Agnolin pretende disseminar o conhecimento adquirido durante a viagem e buscar parcerias entre laboratórios e cooperativas para tornar essa tecnologia acessível aos agricultores locais. Ele acredita que essa colaboração pode impulsionar a pesquisa e o combate aos nematoides no estado.
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Fonte: alagoasinforma.com.br
Gêmeo Digital do Solo: Precisão e Eficiência na Agricultura
A tecnologia da EarthOptics envolve o mapeamento detalhado das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Utilizando sensores, inteligência artificial e amostras físicas, a empresa cria mapas de alta resolução que simulam o comportamento do solo ao longo do tempo, ajudando o produtor a tomar decisões mais precisas e eficazes.
Patrick Schwientek, diretor de Tecnologia da EarthOptics, explica que essa abordagem funciona como um “gêmeo digital” do solo, onde o produtor visualiza doenças, nutrientes e outras características específicas de cada área da lavoura. Isso permite economizar recursos e melhorar a saúde do solo de forma direcionada.
Desde 2023, a EarthOptics atua no Brasil, atendendo cerca de 400 produtores em Campinas e analisando 300 mil hectares anualmente. Para líderes rurais como Marcolina, a tecnologia é cada vez mais essencial para o sucesso das propriedades.
“É fundamental que os produtores entendam que a tecnologia aplicada ao campo não é um luxo, mas uma necessidade para obter melhores resultados e enfrentar desafios como os nematoides”, conclui Marcolina, que já prepara material para compartilhar as experiências da viagem técnica em rádios e sindicatos locais.

