Suspensão do reconhecimento facial nas escolas do Paraná
A Agência Nacional de proteção de dados (ANPD) ordenou a suspensão imediata do uso da tecnologia de reconhecimento facial para registrar a frequência dos estudantes nas escolas públicas do Paraná. Essa medida atinge o tratamento de dados biométricos de crianças e adolescentes realizado pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná, que adotava o sistema para automatizar o controle de presença dos alunos.
Regulamentada em 2023 pelo governo estadual, a tecnologia foi integrada ao sistema de Registro de Classe Online (RCO), com o intuito de agilizar o processo de frequência e diminuir o trabalho manual dos professores. No entanto, a ANPD identificou questões relacionadas à base legal do tratamento, à segurança da informação e às práticas de governança adotadas, principalmente por envolver dados sensíveis de menores de idade.
Por que a ANPD suspendeu o uso da tecnologia?
A decisão da ANPD reflete a preocupação com o tratamento de dados biométricos de crianças e adolescentes, que são considerados dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A agência mantém investigação sobre o caso da Secretaria de Educação do Paraná para avaliar se as medidas adotadas garantem a proteção adequada desses dados, considerando o princípio do melhor interesse do público infantojuvenil.
Além disso, a ANPD destaca a necessidade de uma avaliação rigorosa sobre a legalidade, segurança e governança dos sistemas que utilizam reconhecimento facial em ambientes escolares. A discussão vai além do Paraná e envolve um debate nacional sobre o uso responsável dessas tecnologias em espaços educacionais.
Funcionamento do sistema de reconhecimento facial nas escolas
O sistema utilizado registrava automaticamente a presença dos estudantes por meio do aplicativo Escola Paraná Biometria, onde eram cadastradas previamente três fotografias de cada aluno. Durante as aulas, o professor podia capturar imagens da turma com a câmera do celular, que eram processadas para identificar os estudantes presentes.
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Essa solução digital fazia parte de uma estratégia mais ampla de modernização da gestão escolar, reduzindo o tempo gasto com registros manuais e integrando dados diretamente ao Registro de Classe Online e ao aplicativo Escola Paraná Professores.
Implantação e alcance da tecnologia
O reconhecimento facial foi implementado em mais de 1,6 mil escolas da rede estadual do Paraná, segundo dados da ANPD, que apontam o uso da ferramenta em 1.667 instituições. A tecnologia visava facilitar o controle de frequência em larga escala, contribuindo para uma gestão escolar mais ágil e integrada.
Destino dos dados biométricos coletados
As imagens capturadas para o reconhecimento facial eram enviadas a sistemas específicos para processamento e armazenamento, com protocolos previstos para exclusão dos dados quando necessário. Ainda assim, a ANPD questiona se essas medidas são suficientes para garantir a segurança e a privacidade dos dados sensíveis de crianças e adolescentes.
O debate sobre o uso de biometria em escolas não é exclusivo do Paraná. A própria ANPD aponta a necessidade de cautela na adoção dessas tecnologias, ressaltando que o uso em ambientes educacionais exige proteção reforçada e respeito aos direitos dos estudantes.
Impactos da suspensão para estudantes e escolas
Com a suspensão da tecnologia, as escolas estaduais do Paraná devem retomar os métodos tradicionais de registro de frequência enquanto a ANPD avalia o caso. Para os estudantes, isso significa maior controle sobre o uso de seus dados biométricos e uma oportunidade para discutir os limites e critérios para o uso de tecnologias na educação.
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Fonte: noticiadesalvador.com.br
Além de refletir sobre a eficiência administrativa, a situação evidencia a complexidade de conciliar inovação tecnológica com a proteção dos direitos de crianças e adolescentes, especialmente no contexto escolar.
Reconhecimento facial e a LGPD na educação
A Lei Geral de Proteção de Dados impõe regras claras para o tratamento de informações pessoais, especialmente aquelas que envolvem dados sensíveis como a biometria. No caso de menores, a aplicação do reconhecimento facial exige fundamento jurídico sólido, medidas de segurança eficazes e avaliação da necessidade e proporcionalidade do uso da tecnologia.
A ação da ANPD no Paraná reforça a importância de fiscalizar e garantir que políticas públicas e práticas educativas estejam alinhadas com a proteção dos direitos dos estudantes e o respeito à legislação vigente.
Este episódio serve como referência para outras redes de ensino que considerem o uso do reconhecimento facial, reafirmando a necessidade de transparência, diálogo e responsabilidade no uso de tecnologias em ambientes escolares.

