Erro na previsão do “guru das Copas” destaca imprevisibilidade do futebol
O economista alemão Klement, conhecido como o “guru das Copas” por suas previsões precisas nas últimas três edições do Mundial, teve seu modelo contestado após o Brasil eliminar o Japão na fase de mata-mata, contrariando sua aposta inicial. O especialista havia previsto que o Brasil enfrentaria o Japão no primeiro jogo eliminatório e apostava na vitória dos asiáticos.
Quando o Japão abriu o placar, a expectativa era de que Klement mantivesse sua fama de acertos. Porém, a atuação decisiva de Casemiro e Gabriel Martinelli mudou o rumo da partida, encerrando a “maldição” da previsão para este jogo.
Histórico de acertos impressiona, apesar do revés recente
Embora a previsão para o jogo do Brasil tenha falhado, o modelo desenvolvido pelo economista alemão mantém um histórico notável. Desde a Copa de 2014, realizada no Brasil, Klement acertou o campeão mundial em todas as edições: Alemanha em 2014, França em 2018 e Argentina em 2022.
O complexo sistema estatístico do economista mapeia não apenas os campeões, mas também todas as fases do torneio e as 48 seleções participantes. Para a edição de 2026, a previsão aponta a Holanda como campeã, após vencer Portugal na final marcada para o Estádio MetLife, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, no dia 19 de julho.
Previsões para as semifinais e quartas de final
Segundo o modelo, a Holanda enfrentará a Espanha nas semifinais. Na outra semifinal, Portugal e Inglaterra duelariam, com Portugal eliminado a Argentina nas quartas de final. O economista aposta na vitória portuguesa sobre a Inglaterra, rememorando o confronto da Copa de 2006, na Alemanha, apesar de não detalhar se a decisão se dará nos pênaltis.
Perspectiva realista sobre a previsão esportiva
Klement se considera um “pessimista” e ressalta que a pesquisa nunca teve o objetivo de evitar frustrações ou lucrar com apostas. Na verdade, o projeto surgiu para mostrar a arrogância de tentar prever resultados esportivos sem bases sólidas.
“Tudo começou como um exercício para mostrar ao mundo a arrogância dos economistas, que acham que podem prever fatos sobre os quais não têm nenhuma indicação”, explica ele. “Agora, virou uma demonstração de como, se você tiver sorte várias vezes, as pessoas acham que você é um guru.”
Fatores que influenciam o sucesso nas Copas e o papel da sorte
O modelo de Klement considera fatores sistêmicos, como população, riqueza, clima e ranking da Fifa, que influenciam o desempenho das seleções. Contudo, o economista alerta que esses elementos explicam apenas metade dos resultados, enquanto a outra metade é atribuída à sorte.
“Cada jogo, especialmente entre equipes de alto nível com habilidades similares, depende da forma do dia, decisões da arbitragem e um pouco de sorte — aquela bola que bate na trave ou entra no gol”, detalha Klement. Para ele, esse tipo de imprevisibilidade é parte essencial do futebol.
Previsões como entretenimento em meio a crises globais
Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026, o modelo de previsão traz entretenimento para Klement em meio a um cenário global marcado por crises e conflitos. “É algo que me faz sentir bem e espero que os leitores também encontrem um pouco de distração diante de tudo de ruim que está acontecendo no mundo”, afirma.
Apesar do revés na previsão do Brasil contra o Japão, o trabalho do economista segue sendo acompanhado com interesse, destacando os desafios e a incerteza inerente ao futebol mundial.

