Tecnologia na Educação Municipal de Londrina
A tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de consulta e passou a integrar diretamente o processo educativo nas escolas municipais de Londrina. Através do projeto Letramento Digital, alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental estão envolvidos em atividades de programação, robótica, eletroeletrônica e pensamento computacional.
Atualmente, 596 estudantes de 20 instituições da rede municipal participam das oficinas oferecidas no contraturno escolar. Desde o lançamento do projeto em 2022, cerca de 2.500 alunos já tiveram contato com conteúdos focados em educação tecnológica, ampliando o acesso a conhecimentos essenciais para o futuro.
Aprendizado Prático e Desenvolvimento de Projetos
Na Escola Municipal Joaquim Vicente de Castro, localizada no Conjunto Cafezal, os estudantes aprendem a desenvolver projetos aplicando conceitos de programação e robótica. O professor Josué Carlos Salvadego Junior relata que as aulas começam com atividades básicas e avançam para aplicações práticas que simulam situações do cotidiano.
“É como uma alfabetização nessa linguagem específica. Nosso objetivo é ensinar o uso positivo das tecnologias para que, no futuro, os alunos tenham familiaridade e possam utilizar esses conhecimentos de forma produtiva”, explica o professor.
Durante as aulas, os alunos criam projetos que simulam o funcionamento de semáforos e movimentos de robôs, estimulando o raciocínio lógico e mostrando que a tecnologia pode ser uma ferramenta para soluções criativas.
Junior, que também integra o Grupo de Trabalho para Estudos em Tecnologia da Secretaria Municipal de Educação, compartilha sua paixão pela área: “Esse é meu hobby desde pequeno, sempre fui incentivado a estudar informática e faço edição de vídeo. Gosto muito do que faço”.
Estudantes Criam e Aperfeiçoam Projetos Tecnológicos
O interesse dos alunos cresce conforme se aprofundam nas atividades. Yasmin Andrade, participante do projeto desde o ano passado, já construiu um robô com uma colega, usando placas programáveis.
“Pintamos o robô de roxo, colocamos olhos e instalamos três microbits para controlar os movimentos: para frente, direita e esquerda”, relata a estudante.
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Além disso, Yasmin começou a aprender o conceito de “remixagem”, que permite modificar e aprimorar criações feitas por outros programadores, ampliando o aprendizado colaborativo.
Para ela, os conhecimentos adquiridos serão úteis no futuro: “Já sei fazer um robô básico e programar, e vou aprendendo conteúdos mais avançados aos poucos”.
Outra aluna, Elisa Catarina, decidiu participar das aulas após observar os projetos realizados por colegas. “Vi que eles criavam postes e semáforos, achei muito legal e quis entrar. Minha atividade favorita foi construir um semáforo”, conta Elisa.
Uso da Tecnologia para Aprimorar Outras Disciplinas
Além das oficinas de Letramento Digital, a Escola Joaquim Vicente de Castro utiliza computadores e tablets para apoiar o ensino em diversas áreas, como alfabetização, matemática e astronomia, atendendo alunos do P5 ao 5º ano.
O professor Junior também auxilia outros educadores a incorporar recursos tecnológicos em suas aulas, ampliando o alcance das ferramentas digitais.
A diretora da escola, Flaviani Baraldi, destaca que a infraestrutura tecnológica amplia as possibilidades de aprendizagem. “Ter um espaço adequado, unido a professores capacitados e apaixonados pelo que fazem, junto com o interesse das crianças, faz toda a diferença”, avalia.
Ela ressalta que essas ferramentas têm sido especialmente importantes para estudantes com dificuldades de aprendizagem, que apresentam avanços significativos com o uso de jogos e aplicativos educacionais.
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Além disso, o projeto orienta os alunos sobre o uso consciente da tecnologia. “Hoje, o tempo das crianças é muito ocupado por dispositivos digitais. O professor atua como mediador, mostrando que a tecnologia pode ser usada para aprendizado, oferecendo alternativas aos vídeos de influencers populares”, comenta a diretora.
Projeto Pioneiro e Impacto em Londrina
Londrina foi a primeira cidade brasileira a receber o Projeto Letramento Digital, iniciativa ligada ao programa MCTI Futuro, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A escolha do município considerou o crescimento do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), a presença de empresas e startups da área e a integração da rede municipal de ensino com ações de inovação.
O projeto incorpora conteúdos alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como pensamento computacional, fundamentos de programação, robótica e prototipagem. Além do conhecimento técnico, o programa desenvolve habilidades essenciais como criatividade, resolução de problemas, comunicação, colaboração e protagonismo entre os estudantes.
Durante as atividades, os alunos recebem materiais didáticos e kits com placas programáveis para colocar em prática o aprendizado.
Essa iniciativa representa um avanço significativo na transformação digital da educação municipal, ampliando o acesso de jovens a competências tecnológicas fundamentais para o mercado de trabalho e para a sociedade.
Com informações do NCPML

