Impactos da Guerra no Agronegócio Brasileiro
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, destacou que a guerra no Irã trouxe um novo nível de incerteza para um ano já complicado para o agronegócio. Essa situação, marcada por altos custos e elevado endividamento no setor, dificulta o planejamento dos produtores. Campos mencionou que a tensão no Oriente Médio intensificou a especulação no mercado de insumos agropecuários, especialmente em relação a fertilizantes e combustíveis, elementos cruciais para a produção rural.
Com a pressão sobre as margens de lucro, o secretário advertiu que a situação atual impactará a elaboração do próximo Plano Safra 2026/27, uma ferramenta vital para os produtores. A previsão é que as políticas de crédito, a partir de julho, sejam ainda mais focadas no custeio da safra, devido aos aumentos de custos provocados pelo conflito internacional.
“O cenário global é preocupante. Estamos enfrentando um aumento significativo nos custos, e para os investimentos será necessário um manejo cuidadoso”, enfatizou Campos em declaração ao Valor. Ele ressaltou a gravidade da especulação no campo, afirmando que a precificação dos insumos foi realizada com base em custos futuros, gerando incertezas sobre se os preços atuais representam o teto ou se continuarão a subir caso a guerra se prolongue.
A Necessidade de Bioinsumos e Biocombustíveis
Para Campos, os impactos gerados por conflitos internos evidenciam a urgência de uma política mais robusta em relação à produção e ao consumo de bioinsumos e biocombustíveis. Ele argumentou que é imperativo intensificar a produção desses insumos, além de avançar na utilização de biocombustíveis. “Estamos obtendo resultados positivos, então, por que não avançar nessa direção?”, questionou.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também mencionou a questão da mistura de biodiesel ao diesel, que está em discussão no governo, embora não seja a prioridade imediata. Campos, por sua vez, reforçou que tanto os bioinsumos quanto os biocombustíveis são produzidos nacionalmente, o que contribui para reduzir a dependência de importações, especialmente em tempos de crise, como o atual, que envolve a guerra e o fechamento do estreito de Ormuz.
Ele concluiu ressaltando que o fortalecimento da produção local não só promove a segurança alimentar, mas também realça a competitividade do Brasil no mercado global. “É vital que continuemos a investir em soluções que utilizem recursos nacionais, diferenciando-nos no cenário internacional”, afirmou Campos.

