Movimentações na Governança do Paraná
Curitiba – A gestão de Ratinho Junior, governador do Paraná pelo PSD, enfrenta uma reconfiguração significativa com a saída prevista de pelo menos 15 secretários nesta semana. Este movimento ocorre em função do prazo de desincompatibilização, que se encerra no próximo sábado, dia 4 de abril. Apesar de Ratinho Junior ter confirmado que permanecerá no cargo até dezembro, o foco agora se volta para as próximas eleições, onde a definição de seu sucessor ainda é uma incógnita.
Guto Silva, atual secretário das Cidades, foi o primeiro a anunciar sua saída, programada para esta quinta-feira (2). Silva é cotado para ser o candidato do PSD ao governo, embora suas chances tenham diminuído nas últimas pesquisas. O governador, por sua vez, se vê em uma situação delicada, com opções cada vez mais limitadas para a candidatura governamental.
Outro nome que havia sido discutido é o do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Greca, secretário do Desenvolvimento Sustentável, decidiu se filiar ao MDB e recusou propostas para concorrer a vice ou senador na chapa liderada por Ratinho Junior.
Novas Filiações e Candidaturas
Com o cenário em constante mudança, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, formalizou sua filiação ao Republicanos na tarde desta quinta-feira, em Brasília, buscando concorrer ao governo do Estado. A posição de Curi reflete um movimento estratégico dentro do espectro político paranaense.
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também foi cogitado como um possível candidato, mas na última segunda-feira (30) ele desmentiu as especulações sobre sua saída da prefeitura, afirmando que são apenas rumores.
A expectativa é que Ratinho Junior tome uma decisão sobre seu candidato do PSD após o término do prazo de desincompatibilização, momento crucial para a definição do futuro político do Estado.
Preparação para as Eleições
Além de Guto Silva e Rafael Greca, outros secretários de primeira linha estão se preparando para a disputa. Três deles, Beto Preto (Saúde), Leandre Dal Ponte (Mulher e Igualdade Racial) e Marco Brasil (Indústria e Comércio), buscarão reeleição como deputado federal nas eleições de outubro. Outro que também deverá entrar na corrida é o secretário do Trabalho, Do Carmo (União Brasil), que almeja uma vaga na Assembleia Legislativa.
A lista de secretários que podem concorrer ao cargo de deputado federal inclui Luizão Goulart (Administração, PSD), Rogério Carboni (Desenvolvimento Social, MDB), Sandro Alex (Infraestrutura, PSD) e Leonado Paranhos (Turismo, PSC). Para as vagas estaduais, Márcio Nunes (Agricultura), Alex Canziani (Inovação, PSD), Valdemar Bernardo Jorge (Justiça, Novo) e Helio Wirbiski (Esporte, Cidadania) também estão entre os mencionados. Darlan Scalco, secretário-chefe do gabinete de governo, deve concorrer na Assembleia Legislativa do Paraná.
Recomposição Política
Recentemente, após a filiação do senador Sérgio Moro ao PL, Ratinho Junior se vê na necessidade de reestruturar sua base de apoio. O Partido Novo manifestou seu apoio à candidatura de Moro, o que complica ainda mais a configuração política do governador. Nos últimos dias, ele tem se esforçado para manter o União Brasil, do qual Moro era integrante até pouco tempo, ao seu lado político.
A situação é fluida, e é possível que apoiadores de Moro, como o deputado estadual Mauro Moraes, façam a migração para o PL. Essa movimentação política reflete uma tentativa de consolidar alianças estratégicas que possam trazer estabilidade e apoio às candidaturas do próximo pleito.
Uma figura que pode se destacar neste novo cenário é Cristina Graeml, que ficou em segundo lugar nas eleições municipais de Curitiba em 2024. A filiação de Graeml ao União Brasil em setembro trouxe promessas de apoio de Moro, mas com sua adesão ao PL, as expectativas mudaram. Cristina pode ser candidata a vice na chapa apoiada por Ratinho Junior ou almejar uma cadeira no Senado.
Ratinho Junior ainda precisará trabalhar para manter as alianças com outros partidos que foram cruciais em sua reeleição em 2024, como o MDB de Rafael Greca e o Republicanos, que já estão buscando novas direções. O PP, com Ricardo Barros como principal figura no Paraná, também está sendo monitorado, já que havia recusado apoio a Moro por meio da federação União Progressista. No entanto, setores estão se aproximando do senador, podendo levar a novas alianças ou até mesmo à candidatura de um representante próprio.

