Um olhar artístico sobre a história de Londrina
O Ballet de Londrina propõe uma experiência cultural que une dança, música e poesia para revisitar a trajetória da cidade. O espetáculo “A vida é um dia” será apresentado no teatro ouro verde em três sessões, sempre às 20h, nos dias 19, 20 e 21 de um mês recente. A montagem acompanha a memória de uma mulher quase centenária, entrelaçando sua vida com os principais momentos históricos de Londrina.
Poema e memórias que se entrelaçam
Inspirado no poema homônimo do autor Renato Forin Jr., o espetáculo mergulha na história da protagonista internada em uma UTI durante a pandemia da Covid-19. A narrativa traça um percurso que mistura lembranças pessoais e eventos marcantes da cidade, como o processo de colonização, a geada de 1975 e a efervescência da produção cultural local.
O texto, escrito entre 2020 e 2021, nasceu de um convite da Orquestra Acadêmica Bravi para criar poemas sobre Londrina, mas acabou se convertendo em um épico dividido em quatro partes. Renato buscou incorporar Londrina aos sentimentos e experiências da personagem, que tem a mesma idade da cidade.
Perspectiva ampliada sobre a formação da cidade
A protagonista, descendente de caingangues e negros, permite apresentar uma visão mais ampla da história londrinense, incluindo períodos anteriores à colonização tradicionalmente reconhecida. O autor destaca que o espetáculo visa oferecer uma narrativa mais próxima da realidade, contrapondo-se à história oficial que tratava o norte do Paraná como um território vazio antes da divisão de lotes.
Dança como expressão além da palavra
A transformação do poema em espetáculo resultou da proposta da assistente de direção e produtora do Ballet de Londrina, Danieli Pereira. A coreografia ficou a cargo do paulista Alex Soares, que hoje mora na Dinamarca. Ele destaca que a dança não serve para ilustrar literalmente a poesia, mas para abrir novas camadas interpretativas por meio do corpo, ampliando a experiência sensorial do público.
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Fonte: soudesaoluis.com.br
O desafio de integrar dança, música e poesia representou uma novidade para o Ballet de Londrina, que encarou o processo com atenção redobrada para equilibrar essas linguagens distintas.
Orquestra e poesia em diálogo contínuo
A Orquestra Acadêmica Bravi, que já participou de uma versão anterior da obra em 2021, intensifica agora sua presença musical, realizando composições simultâneas com o texto. O regente Jhonatan Santos destaca a complexidade de sincronizar música e narrativa, criando um diálogo preciso que aproxima a montagem da estrutura de uma ópera, embora sem a presença vocal.
As músicas originais são assinadas pelos compositores locais Erisla Pastore e Daniel Simitan, contribuindo para a identidade sonora da peça.
Elementos cênicos que ressaltam contrastes locais
O espetáculo também explora os contrastes que definem Londrina, como o encontro entre o rural e o urbano, a tradição e a modernidade. A cenografia, assinada por Renato Forin Jr., e os figurinos, de Cássio Brasil, com mais de 50 peças, complementam a narrativa visual e estética da montagem.
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Alex Soares salienta como as diferentes linguagens se completam e enriquecem a fruição do espetáculo, tornando-o uma experiência cultural plural.
Conexão com o público e valorização da história local
O coreógrafo espera que o público se identifique com a obra e que o espetáculo desperte o interesse pela história de Londrina, especialmente entre aqueles que ainda não conhecem profundamente sua trajetória. A iniciativa reforça a relevância da arte como instrumento de memória e reflexão cultural.
“A vida é um dia” reafirma o compromisso do Ballet de Londrina e da Orquestra Acadêmica Bravi com a circulação artística e o fortalecimento da identidade cultural local, oferecendo à comunidade uma oportunidade de revisitar sua história por meio das artes cênicas.
Informações sobre a montagem foram obtidas junto à Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart) e à Secretaria Municipal de Cultura.

