Fenótipo p nulo: um tipo sanguíneo que poucos têm no Brasil
Solimari Luzia Machado Andrejczuk, de 29 anos, do Paraná, tem um tipo sanguíneo extremamente raro, identificado em apenas três pessoas no país. Ela portadora do fenótipo p nulo, condição que exige cuidados específicos para transfusões. Recentemente, Solimari ajudou uma paciente de São Paulo que necessitava de uma transfusão compatível. O contato entre a doadora e a paciente foi viabilizado pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), após solicitação da Fundação Pró-Sangue, de São Paulo.
Importância da compatibilidade e da identificação do sangue raro
Conforme informações da Agência Estadual de Notícias (AEN), Solimari já fazia parte do Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR) e era conhecida da equipe do Hemepar. A paciente paulista também possui o fenótipo p nulo, o que torna essencial o uso de sangue compatível para evitar reações transfusionais. A farmacêutica Caroline Luise Prochaska, responsável pelo Setor de Imuno-hematologia do Hemepar, esclarece que a paciente apresenta o anticorpo anti-PP1Pk, tornando imprescindível o uso de hemácias livres desses antígenos.
A identificação e o contato com doadores que possuem o mesmo fenótipo são fundamentais para a segurança do procedimento. Além do fenótipo, outros critérios de compatibilidade são avaliados para garantir que a transfusão não gere reações adversas. “Quando um paciente desenvolve anticorpos contra certos antígenos, não pode receber sangue comum. Ele precisa de sangue especial, que não contenha esses antígenos, para evitar reações transfusionais”, detalha Caroline.
O papel do Hemepar e a importância do cadastro
O Hemepar realiza um trabalho contínuo de identificação e fenotipagem dos doadores, o que permite a descoberta de fenótipos raros. A fenotipagem determina quais antígenos estão presentes ou ausentes nas hemácias, ultrapassando a classificação tradicional dos grupos sanguíneos, como A positivo ou O negativo. Isso possibilita localizar doadores capazes de atender pacientes com necessidades transfusionais específicas.
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Segundo Caroline, o hemocentro repassa ao Ministério da Saúde, semestralmente, os dados dos doadores e os fenótipos raros identificados no Paraná. Esse esforço conjunto fortalece a rede de doação e atendimento para casos complexos.
Como foi descoberta a raridade sanguínea de Solimari
O fenótipo p nulo de Solimari foi identificado anos atrás, durante uma doação no Hemepar, quando a pesquisa de anticorpos irregulares revelou uma alteração que levou à análise detalhada em laboratório de apoio. O exame confirmou o fenótipo raro da doadora.
Essa descoberta é resultado do rigoroso processo de fenotipagem realizado pelo Hemepar, que ajuda a mapear características que não aparecem na classificação sanguínea tradicional, ampliando a capacidade de resposta para transfusões seguras em casos especiais.
Rede Nacional de Sangue Raro e a solidariedade dos doadores
O Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), criado em 2013, reúne mais de 2 mil doadores e já auxiliou mais de 300 pacientes em todo o país. No Paraná, o Hemepar conta com 291 doadores cadastrados com tipos sanguíneos raros. A rede é fundamental para atender casos que não encontram compatibilidade local, permitindo a mobilização de doadores em diferentes estados.
O secretário de Estado da Saúde do Paraná, César Neves, reforça que a solidariedade dos doadores, combinada ao trabalho técnico do Hemepar, faz a diferença para quem necessita de sangue compatível. “Cada doação é valiosa e pode salvar vidas”, afirma.
Manutenção das doações regulares e o impacto na saúde pública
Vivian Raksa, diretora do Hemepar, destaca que manter as doações regulares e os dados de contato atualizados é essencial para localizar doadores com fenótipos raros quando surgem necessidades específicas. Uma doação pode beneficiar até quatro pessoas, pois o sangue é separado em hemocomponentes que atendem diferentes tratamentos.
Ela ressalta ainda que a identificação de fenótipos raros torna o vínculo do doador ainda mais importante, já que a convocação pode ocorrer para atender pacientes no Paraná ou em outras regiões, como no caso recente envolvendo São Paulo.
Incentivo à doação de sangue e ao cadastramento de fenótipos raros
Solimari convoca outras pessoas a procurarem o Hemepar para doação e identificação de fenótipos raros. “Se conseguirmos encontrar mais tipos sanguíneos raros, poderemos ajudar muito mais pessoas”, afirma. A doadora reforça a importância do gesto voluntário, que não apenas salva vidas, mas também fortalece a rede nacional de transfusão de sangue raro.

