Missão técnica da FNP foca em respostas a eventos climáticos no Norte do Paraná
Prefeitos, secretários e gestores municipais de diversas regiões do Brasil se reúnem em Londrina para uma missão técnica da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP). O objetivo principal é discutir estratégias para enfrentar os impactos causados por eventos climáticos extremos relacionados ao fenômeno El Niño. A iniciativa acontece em meio aos recentes estragos provocados por fortes temporais, vendavais e tornados em cidades paranaenses como Apucarana e Maringá. Além dos desafios climáticos, a programação inclui debates sobre inovação, tecnologia e aprimoramento da gestão pública.
Agenda inclui visitas e troca de experiências entre municípios
A comitiva foi recebida no Jardim Botânico de Londrina e permanecerá na região até sexta-feira (6), com atividades também em Apucarana e Maringá. Durante a missão, os participantes apresentam projetos e práticas adotadas pelas administrações locais. Trata-se da primeira missão nacional organizada pela FNP, que tradicionalmente promove intercâmbios internacionais para que gestores brasileiros conheçam experiências estrangeiras.
Gilberto Perre, secretário-executivo da entidade, destaca que a escolha do Norte do Paraná leva em conta as características específicas da região e as iniciativas desenvolvidas pelas prefeituras locais. Em Londrina, a atenção está voltada para inovação e transformação digital; em Apucarana, o foco é a educação integral; e Maringá apresenta ações voltadas para meio ambiente e governança.
Impactos recentes reforçam urgência na discussão climática
A programação ganha relevância diante dos desastres naturais que afetaram a região recentemente. Em setembro, Apucarana sofreu o que o prefeito Rodolfo Mota (União) classificou como a maior tragédia do município em 82 anos, com mais de 5 mil imóveis prejudicados por ventos fortes e granizo. A prefeitura precisou distribuir lonas e telhas para famílias que tiveram suas casas destelhadas.
Em Maringá, um tornado derrubou quase 400 árvores em cerca de 15 a 20 minutos. A cidade contou com o apoio de equipes de municípios vizinhos, incluindo Apucarana, que enviou uma força-tarefa para liberar o acesso a um hospital comprometido por quedas de árvores. “Nenhuma cidade está preparada para o El Niño. Não enfrentamos isso sozinhos”, afirmou o prefeito de Apucarana.
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Preparação e resposta rápida são cruciais para minimizar danos
O prefeito de Apucarana reforça que a preparação antecipada e a capacidade de resposta rápida são fundamentais diante de eventos imprevisíveis. A prefeitura organizou licitações e contratações para garantir materiais emergenciais, evitando atrasos no atendimento às famílias afetadas. “Quem está com a casa descoberta não pode esperar dias para receber uma lona, muito menos meses para um kit de telhas”, explicou Mota.
Para atender às demandas, o município adquiriu R$ 1 milhão em telhas e distribuiu aproximadamente 300 mil metros quadrados de lonas. Os danos prolongados, como prejuízos em vias públicas, prédios e escolas, além de impactos à saúde, ainda exigirão atenção. O prefeito estima gastos adicionais entre R$ 5 milhões e R$ 7 milhões nos últimos dois meses.
Integração entre municípios fortalece ações de enfrentamento
Tiago Amaral (PSD), prefeito de Londrina, destaca a importância da troca de informações entre cidades para identificar práticas já testadas e antecipar medidas preventivas. Londrina também tem participado de operações de apoio a municípios afetados, como Sapopema, Apucarana e Maringá.
As equipes avaliam as dificuldades enfrentadas e as soluções adotadas, visando incorporar os aprendizados localmente e compartilhar iniciativas eficazes com outras prefeituras. “Nossa missão é analisar o que já temos, identificar os problemas enfrentados e aprimorar nossas ações, além de levar experiência para as cidades que necessitam”, afirmou Amaral.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Projetos inovadores marcam a agenda em Londrina
Além dos debates climáticos, a programação em Londrina contempla iniciativas em transformação digital, saúde, educação e mobilidade urbana. Entre os projetos apresentados estão o Londrina On, plataforma que integra serviços digitais e a UPA Digital; ônibus convertidos em laboratórios móveis de tecnologia para aproximar inovação dos estudantes; e um sistema de gestão do transporte coletivo baseado na integração de dados.
Gestores reforçam necessidade de diálogo nacional sobre desafios climáticos
Elcione Ramos, prefeita de Igarassu (PE) e vice-presidente de Turismo da FNP, ressaltou a importância de discutir os efeitos climáticos em âmbito nacional. Ela relata que municípios da região metropolitana de sua cidade enfrentam extremos de calor e enchentes, enquanto outras áreas de Pernambuco aguardam chuvas. “Esse tema precisa ser tratado não apenas pelos prefeitos, mas também por instituições que possam orientar políticas para mitigar os impactos”, destacou.
Desafios fiscais e articulação política também estão na pauta
Além das questões climáticas, os gestores discutem desafios relacionados a finanças municipais, arrecadação, investimentos e prestação de serviços públicos. Gilberto Perre observa que equilibrar receitas e despesas é um tema constante nas conversas, assim como a busca por maior apoio político em Brasília para ampliar recursos destinados aos municípios.
FNP planeja ampliar modelo de missões técnicas pelo país
A missão nacional da FNP no Norte do Paraná representa a primeira iniciativa desse formato da entidade. O objetivo é identificar outras regiões que possam receber encontros semelhantes, fortalecendo a troca de experiências e a capacitação de gestores públicos em todo o Brasil.

