Festival de Dança movimenta Londrina com mais de 4 mil espectadores
O Festival de Dança de Londrina 2026 encerrou sua programação no sábado (31) com um público estimado em 4,5 mil pessoas durante nove dias intensos de atividades. A edição reuniu espetáculos de diferentes regiões do Brasil e do exterior, além de oficinas e conferências que exploraram as conexões da dança com outras expressões artísticas e questões contemporâneas. O encerramento ocorreu no Teatro Ouro Verde, com a lotação completa para a performance “Um sim à vida”, da filósofa, poeta e psicanalista Viviane Mosé.
Programação diversificada em múltiplos espaços culturais
O festival ocupou diversos espaços da cidade, incluindo o Teatro Ouro Verde, Teatro da AML Cultural, Usina Cultural e Museu de Arte de Londrina. Artistas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte do Brasil e da Bélgica participaram do evento, que teve como tema “Dançar, Agir, Pensar a Golpes de Martelo”. A proposta era provocar reflexões sobre aspectos sociais, culturais, ambientais e filosóficos, com curadoria assinada por Danieli Pereira e Renato Forin Jr., este último responsável pela comunicação do festival.
Inspirada na filosofia de Friedrich Nietzsche, a curadoria buscou desafiar narrativas tradicionais e relações de poder por meio da dança. Segundo Forin Jr., o festival pretende abrir “fendas de luz” em estruturas hegemônicas, questionando histórias apresentadas como verdades únicas, algo refletido nos espetáculos, principalmente nas apresentações das últimas noites.
Destaques artísticos e temáticos do festival
A abertura, gratuita, trouxe o Ballet de Londrina e a Orquestra Bravi com “A vida é um dia”, coreografado por Alex Soares. A apresentação revelou a história de Londrina sob o olhar de uma mulher kaingang e negra que viveu na região antes da colonização inglesa. A programação também incluiu atrações para crianças, como “Fica comigo”, do grupo goiano Ateliê do Gesto, que utiliza bonecos e personagens para explorar memórias.
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Entre os trabalhos locais, Edna Aguiar apresentou “Brasiliana” na Usina Cultural, refletindo sobre trajetórias femininas e a violência no Brasil. O bailarino belga Maxime Cozic apresentou o solo “Soute à bagages” no Teatro Ouro Verde, investigando o corpo, objetos e o tempo.
A dança clássica ganhou espaço na noite Dança Londrina Clássicos, com mais de 70 bailarinos do Ballet Luana Prado e da Escola Municipal de Dança, exibindo trechos de “Dom Quixote” e “O Quebra-Nozes”. A mestra da cultura popular maranhense Ana Maria Carvalho conduziu oficina e apresentou “Bordados de Música”, além de guiar o público pelo Centro Histórico com músicas tradicionais do Boi.
Reflexões sobre meio ambiente e filosofia na reta final
No final do festival, a Quasar Cia de Dança, de Goiânia, apresentou “Menos da metade”, que abordou os impactos da devastação do Cerrado, como queimadas e desmatamento. O ator João Paulo Lorenzon apresentou o solo “Do cavalo nada sabemos”, inspirado em Nietzsche, provocando uma análise sobre a violência e a reação humana. Após o espetáculo, houve debate com o ator e a preparadora corporal Lu Favoreto, natural de Londrina.
O encerramento com Viviane Mosé reuniu filosofia e poesia em “Um sim à vida”, recebendo aplausos no Teatro Ouro Verde e promovendo um bate-papo seguido de sessão de autógrafos.
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Reconhecimento da identidade curatorial e impacto cultural
Além das apresentações, a conferência “Dançar para contar outras histórias”, mediada por Renato Forin Jr. e conduzida pelo crítico de dança Henrique Rochelle, destacou o compromisso artístico do festival em assumir posicionamentos e fomentar debates. Rochelle ressaltou a assinatura curatorial e a abordagem artivista como aspectos que diferenciam o evento.
Para os organizadores, o Festival de Dança de Londrina consolidou-se como um espaço que integra diversas linguagens artísticas, valoriza produções locais e aproxima o público de artistas nacionais e internacionais.
Produção e apoio institucional
O festival é organizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Londrina e Região Norte do Paraná (APD), com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Londrina. Também recebeu recursos da Política Nacional Aldir Blanc por meio de projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, além do apoio da HotMilk, PUC-PR e da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

