Denúncia do Ministério Público destaca falhas no atendimento hospitalar
O Ministério Público do Paraná (MPPR) formalizou denúncia contra quatro profissionais de saúde — um médico, uma enfermeira e duas técnicas de enfermagem — pela morte de Ravi Augusto Fernandes Teodoro, de 4 anos, ocorrida em junho de 2026 no hospital de Joaquim Távora, no Norte Pioneiro do Paraná. A acusação é de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas há negligência ou imprudência.
Segundo o MPPR, a criança, que deu entrada na unidade na noite de 9 de junho com sintomas gripais, não recebeu o acompanhamento adequado durante a internação. Ravi permaneceu em observação durante a madrugada, mas seu estado de saúde piorou e ele faleceu na manhã seguinte. O exame confirmou que o menino estava com influenza.
Investigação revela falhas graves no monitoramento e comunicação
A denúncia detalha que os profissionais não adotaram as medidas necessárias diante da evolução do quadro clínico da criança, tampouco realizaram o monitoramento contínuo exigido para sua condição. A Promotoria também destacou a inobservância de normas técnicas, o que pode resultar em aumento da pena para os acusados.
Leia também: Cambé é destaque nacional: 49ª melhor segurança e 4ª saúde pública do Paraná
Leia também: Justiça condena Paraná a pagar R$ 100 mil por assédio moral na Saúde
A investigação da Polícia Civil, que já havia indiciado os envolvidos por homicídio culposo, foi motivada por uma denúncia do Conselho Tutelar, após questionamentos da família sobre o atendimento recebido. Foram analisados prontuários, exames, depoimentos e realizado perícia médico-legal, que confirmou falhas na avaliação, monitoramento e comunicação entre os profissionais durante o atendimento a Ravi.
Problemas estruturais no hospital são alvo de apuração
Além da denúncia criminal, o Ministério Público investiga problemas estruturais e organizacionais no hospital de Joaquim Távora. Entre as irregularidades apontadas estão a presença de apenas um médico clínico geral durante o plantão, sem suporte pediátrico, além da ausência de protocolos internos para atendimento de urgências pediátricas.
O MP também identificou a falta de reavaliações médicas periódicas para pacientes em observação, possíveis irregularidades na triagem sem classificação de risco e falhas em registros médicos e de enfermagem. Há ainda indícios de problemas na comunicação e na transferência de pacientes pediátricos em estado grave, além de possíveis alterações no sistema de prontuário eletrônico.
Leia também: Marcio Maranhão: o cirurgião que viveu a saúde pública e revela o impacto do SAMU
Fonte: soudesaoluis.com.br
Leia também: MP Eleitoral registra 130 ações por derramamento de santinhos no Amazonas
Fonte: daquidemanaus.com.br
Desdobramentos e impacto na comunidade local
Ravi era aluno do Centro Municipal de Educação Infantil Maria Aparecida Beruski. A morte do menino gerou comoção em Joaquim Távora, mobilizando familiares, amigos, professores e moradores da cidade, que prestaram homenagens e mensagens de solidariedade.
O processo criminal corre em segredo de Justiça. A denúncia do Ministério Público será avaliada pelo Judiciário, e o desfecho sobre a responsabilização dos profissionais depende do andamento do processo. O caso reforça a necessidade de melhorias na segurança e qualidade do atendimento pediátrico na rede pública da região, com foco na prevenção e cuidado contínuo.

