Prioridades de Gleisi Hoffmann para o Senado
A deputada Gleisi Hoffmann (PT), candidata ao Senado pelo Paraná, anunciou que sua campanha vai focar na ampliação dos serviços de saúde, no combate à violência contra as mulheres e na recuperação do protagonismo político do Paraná em Brasília. Em entrevista concedida à Tribuna do Norte e TNOnline, nesta terça-feira (25), Gleisi criticou a atual bancada do Estado no Senado, destacando a perda de influência do Paraná nas decisões nacionais, apesar de elogiar o trabalho do senador Flávio Arns na área da educação especial.
A candidata ressaltou a importância estratégica do Senado para os interesses do Paraná e recordou o período em que atuou na Casa, ao lado de Roberto Requião e Álvaro Dias, quando o Estado exercia maior capacidade de articulação política, social e econômica. “Tínhamos um protagonismo grande no Senado da República. Articulávamos as forças políticas, sociais e econômicas e tínhamos presença nas discussões. Hoje, infelizmente, temos um Senado muito acanhado, que representa o Paraná”, avaliou.
Defesa da representatividade feminina e saúde pública
Gleisi também vinculou sua candidatura à defesa da representatividade feminina no Senado. Ela foi a primeira mulher eleita para a Casa pelo Paraná e destacou que nenhuma outra mulher ocupou a vaga desde então. “As mulheres precisam ocupar espaço. Eu fui a primeira senadora do Paraná e não teve mais nenhuma mulher que ocupou o Senado. Precisamos voltar ao Senado da República”, afirmou.
Sobre as prioridades para o Estado, a saúde aparece como o eixo central da candidatura de Gleisi. Ela defende a expansão das carretas da saúde, unidades móveis que realizam atendimentos especializados, exames e procedimentos nos municípios do interior. A deputada informou que já estabeleceu compromisso com o Ministério da Saúde para levar pelo menos mais seis dessas unidades ao Paraná, por meio do programa Agora Tem Especialistas, que contempla áreas como saúde da mulher, cirurgias de catarata e exames de imagem.
Além disso, Gleisi mencionou investimentos em hospitais, citando a instalação de um aparelho de radioterapia no Honpar, em Arapongas, como reforço para o tratamento contra o câncer. A candidata relacionou a pauta da saúde ao combate à violência contra a mulher, destacando a necessidade de enfrentar os altos índices de feminicídio. “As mulheres não podem ser mortas por serem mulheres. O enfrentamento à violência doméstica precisa ser prioridade”, enfatizou.
Interiorização da medicina e estrutura hospitalar
Na entrevista, Gleisi defendeu a criação do curso de Medicina da Unespar em Apucarana, relacionando essa iniciativa à política de interiorização da formação médica iniciada pelo programa Mais Médicos, durante o governo Dilma Rousseff. Segundo ela, a expansão dos cursos fora dos grandes centros é essencial para fixar profissionais nas regiões onde estudam e reduzir a falta de médicos na atenção básica.
“É fundamental termos cursos de medicina interiorizados. Antes, o Brasil só tinha cursos nas capitais ou grandes polos, o que dificultava a permanência dos médicos no interior”, explicou. A candidata destacou que a ampliação dos cursos em universidades públicas e privadas visa estimular a permanência dos profissionais nas comunidades em que se formam.
Sobre a estrutura hospitalar de Apucarana e região, Gleisi afirmou que o Honpar é um complexo importante para o atendimento regional e acompanha as demandas do Hospital da Providência. No entanto, alertou que a abertura de novos hospitais deve ser acompanhada de recursos permanentes para garantir a manutenção dessas unidades. “Sempre haverá necessidade de mais hospitais, mas é essencial garantir sustentabilidade e recursos para mantê-los”, afirmou.
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Retomada da atuação no Senado e articulação política
Gleisi disse que, se eleita, pretende retomar uma atuação similar à de seu primeiro mandato no Senado. Ela citou projetos que relatou ou apresentou, como a proposta que extinguiu o 14º e o 15º salários de deputados e senadores, a Lei do Feminicídio, o Estatuto das Guardas Municipais, a Patrulha Maria da Penha e a aposentadoria das donas de casa.
“Meu primeiro projeto de lei foi acabar com o 14º e o 15º salários de deputados e senadores. Ninguém tem esses benefícios, mas eles tinham”, destacou. Pretende seguir atuando em temas como enfrentamento à violência contra a mulher, modernização do serviço público, desenvolvimento econômico e social, além da articulação para captar recursos para o Paraná.
Como exemplo, mencionou Apucarana, que recebeu investimentos em habitação, creches e unidades básicas de saúde durante seu período no Senado e no governo Dilma Rousseff. “Precisamos trazer recursos para o nosso Estado”, disse.
Desafios no Congresso e estratégias de diálogo
Ao comentar a polarização política e a composição conservadora do Congresso, Gleisi afirmou que pretende combinar a defesa firme de suas posições com disposição para o diálogo. Ela lembrou sua atuação na Secretaria de Relações Institucionais, quando negociava entre governo e Parlamento.
“Tínhamos que negociar muito, e acredito que sempre avançamos com conversa”, afirmou. Citou como exemplo a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, viabilizada por mobilização social e negociação interna.
Por outro lado, reconheceu que existem setores radicalizados com os quais não vê possibilidade de diálogo. “Tem o setor radical que não quer conversar. Como dizia minha avó, não adianta queimar vela para santo ruim”, disse.
Políticas para agronegócio e agricultura familiar
Gleisi defende políticas que atendam tanto o agronegócio quanto a agricultura familiar. Para ela, não há contradição entre apoiar grandes produtores voltados à exportação e fortalecer pequenos agricultores responsáveis por parte significativa da alimentação da população.
“Vivemos bem no Brasil com foco na exportação, que é essencial para o país”, afirmou. Segundo a candidata, o grande produtor precisa de crédito seguro e abertura de mercados, enquanto a agricultura familiar demanda crédito, assistência técnica, feiras, políticas de preço, estoques reguladores e programas de compras públicas.
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Ela citou o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar como instrumentos que ajudam a apoiar pequenos produtores e abastecer entidades assistenciais, hospitais e escolas. “Sem uma política de estoque, quando há supersafra, o preço cai muito e o produtor sofre. O governo tem que comprar, armazenar e vender quando faltar”, explicou.
Incentivo à participação feminina na política
Na parte final da entrevista, Gleisi voltou a defender a presença das mulheres nos espaços de decisão. Para ela, a ausência feminina compromete a elaboração de políticas públicas, considerando que as mulheres representam metade da população.
“Se metade da população, que somos nós, mulheres, não estiver na mesa de decisões, a coisa sai pela metade”, afirmou. A campanha de Gleisi também busca estimular outras mulheres a disputarem cargos eletivos, de vereadoras a presidente da República.
“Quando a mulher entra na política, melhora para todos. Melhora para a família, melhora para os homens. A pauta que as mulheres levam é a do cuidado, da saúde, da educação e do olhar mais afetuoso”, declarou.
Contexto político no Paraná e apelo ao eleitorado
Questionada sobre a resistência ao PT em um Estado considerado conservador, Gleisi discordou dessa definição para o Paraná. Ela citou sua própria eleição ao Senado, mandatos de Roberto Requião e administrações petistas em cidades do Estado como indicativos de espaço para disputa política.
“Fui senadora nesse Estado conservador e sempre fui do PT. O problema não é ser conservador, mas ter minhas ideias e valores, respeitando os de todos”, afirmou. Ela finalizou dizendo que quer representar o povo paranaense, com atenção especial às mulheres, e reforçou o pedido de apoio para retornar ao Senado.
“Quero representar as mulheres paranaenses, o povo do Paraná, especialmente as mulheres. Precisamos desse espaço para colocar as pautas que são importantes para nós”, concluiu.

