Desempenho em Saúde Sob Análise
No último dia 18, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) se reuniu para discutir o Relatório Anual de Gestão (RAG/2025), em um encontro que ocorreu no auditório do Hospital da Zona Sul. O RAG é um documento essencial no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), que detalha as ações realizadas, as metas alcançadas e a execução orçamentária do ano anterior, servindo como uma importante prestação de contas à população.
Durante a reunião, a secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, e representantes de diversas diretorias da autarquia apresentaram os dados do relatório. Embora o RAG tenha sido aprovado, surgiram várias ressalvas que refletem a preocupação com o desempenho da gestão em várias áreas da saúde. O conselheiro Laurito Porto Lira, membro da Comissão de Instrumentos de Gestão, destacou a gravidade de questões como a queda na cobertura vacinal e o baixo investimento em exames de prevenção.
Preocupações com a Cobertura e Exames
Os números apresentados revelaram uma realidade alarmante: apenas 62,5% da população foi vacinada, e a cobertura para hipertensão e diabetes ficou bastante aquém da meta de 50%, com índices alarmantes de 23% e 19,6%, respectivamente. A situação da sífilis congênita e a baixa cobertura de exames Citopatológicos (somente 19% contra a meta de 40%) foram outros pontos críticos destacados.
O conselheiro Lira enfatizou que a inércia em corrigir falhas pode resultar em mais problemas no futuro. “Se não houver a devida correção das falhas apontadas, os indicadores poderão não atingir os resultados esperados novamente em 2026”, alertou.
Financiamento e Previne Brasil
A Comissão de Instrumentos de Gestão também levantou preocupações sobre o uso da sobra orçamentária. A gestão municipal precisa explicar como pretende manter os atendimentos, especialmente com o programa Previne Brasil, que visa reestruturar o financiamento da Atenção Primária à Saúde com base em resultados e melhoria na eficiência do sistema. O conselheiro Rodney Machado, que representa o SindSaúde PR, votou contra a aprovação do RAG, argumentando que a negligência em atender as populações mais vulneráveis é inaceitável.
Desafios e Respostas da Gestão
A secretária Vivian Feijó contestou as críticas, afirmando que a gestão avançou em diversas áreas, mas que enfrenta dificuldades com a metodologia de cálculo imposta pelo Ministério da Saúde. “Estamos trabalhando para reaproximar a gestão das necessidades apresentadas pelo CMS e pela população”, disse Feijó, ressaltando que alguns dados vacinais melhoraram e que o índice de mortalidade infantil teve uma queda significativa.
Com um orçamento de R$ 3,7 bilhões para a saúde em 2025, Londrina prioriza a saúde e a educação. No entanto, para que a gestão seja efetiva, é essencial que as metas sejam monitoradas de perto e que a população tenha acesso a serviços de saúde de qualidade.
Transparência e Acesso à Informação
O relatório aprovado ficará disponível online no site oficial do município, garantindo que a sociedade possa acompanhar os resultados e as ações da gestão na saúde pública. A transparência é um pilar fundamental para assegurar que melhorias sejam implementadas e para que a população se sinta parte ativa no controle social.

