Trump recusa regulação global da Inteligência Artificial
Durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, fez críticas contundentes às iniciativas internacionais que tentam regular ou governar a Inteligência Artificial (IA) de forma global. Ele declarou que os EUA “rejeitam totalmente qualquer tentativa de criar um esquema globalista para controlar a inteligência artificial”.
As disputas pela liderança na cadeia produtiva da IA têm dois protagonistas evidentes: a China e os EUA. Enquanto Washington defende um modelo baseado em “parceiros confiáveis” para supervisionar o desenvolvimento da tecnologia, Pequim propõe um sistema aberto, com códigos acessíveis a empresas e organizações em todo o mundo.
Especialistas apontam oposição dos EUA a regulamentações multilaterais
Ettore Arpini, especialista em governança de IA e fundador da organização Plures, ressaltou que a postura de Trump vai contra movimentos internacionais — inclusive dentro da ONU — que buscam criar alianças entre potências médias para estabelecer um multilateralismo eficaz e normas globais para a IA. “Essa posição é completamente contrária a iniciativas que visam trazer um modelo de governança e regulamentações internacionais para a tecnologia”, afirmou Arpini.
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Trump também deixou claro que os Estados Unidos não pretendem impor limitações ao desenvolvimento da IA. Segundo ele, quem dominar essa tecnologia será o “vencedor” da nova revolução tecnológica. “No momento, estamos muito à frente da China e de todos os outros. E vamos manter essa vantagem. Não vou sufocar o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial”, declarou.
Desaceleração e riscos financeiros na indústria da IA
Na semana anterior, líderes do setor de IA nos EUA recomendaram a desaceleração do avanço dos modelos mais sofisticados, que estariam evoluindo mais rápido do que os mecanismos de controle e segurança disponíveis. Além disso, economistas alertam para uma possível “bolha” no setor, devido ao elevado volume de investimentos e à incerteza sobre o retorno financeiro, o que pode trazer impactos negativos para a economia global.
Um relatório do Banco de Compensações Internacionais (BIS) destaca que a competição intensa pode levar empresas a investir excessivamente em projetos cujo retorno ainda é incerto, aumentando a vulnerabilidade a decepções nos resultados da IA.
Rebatizando a Inteligência Artificial como “superinteligência”
Na ONU, Trump anunciou a mudança do nome da tecnologia para “superinteligência”, justificando que o termo “artificial” faz a inteligência parecer falsa. Para o especialista Ettore Arpini, essa mudança pode causar confusão e reforçar a narrativa de liderança dos Estados Unidos na corrida global pela IA.
Arpini aponta que a discussão sobre o nome é menos relevante do que compreender as capacidades dos sistemas, sua autonomia, quem os governa e os impactos sociais decorrentes. “O importante não é definir se é ou não inteligência, mas sim quais são as consequências para a sociedade e quais países estão se preparando”, explicou.
O cientista brasileiro Miguel Nicolelis também critica o uso do termo “inteligência” para descrever a IA, considerando-o uma metáfora ou estratégia de marketing que exagera as capacidades reais dos sistemas, valorizando os serviços oferecidos pelas gigantes da tecnologia.

