Cenário Político Indefinido
A sucessão de Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) continua com incertezas, enquanto a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta desafios significativos no Senado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em busca de um sucessor que tenha boa relação com o Congresso, mas a pressão das próximas eleições torna a tarefa ainda mais complicada. Até que um novo ministro seja nomeado, Marcelo Costa, atual número dois de Gleisi, assumirá interinamente a pasta. Este cargo é fundamental para a articulação política e a gestão das emendas parlamentares.
Aliados de Lula afirmam que a escolha do novo titular da SRI é uma questão de urgência, especialmente com o fim do prazo para a desincompatibilização de autoridades que participarão das eleições deste ano. Gleisi pretende concorrer a uma vaga no Senado pelo Paraná e deve deixar o cargo até o próximo sábado. Informações de cinco integrantes do governo indicam que o presidente tem enfatizado a necessidade de um novo ministro que consiga dialogar com os parlamentares e, preferencialmente, tenha experiência prévia na Câmara ou no Senado.
Um ministro, que pediu para não ser identificado, afirmou que Lula busca um político que compreenda a dinâmica do Congresso e tenha habilidades para interagir com os senadores. A prioridade é garantir que o novo responsável pela SRI contribua para a aprovação de Jorge Messias no STF. Contudo, o nome de Messias gerou descontentamento entre membros da cúpula do Senado, especialmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que manifestou preferência por Rodrigo Pacheco.
Desafios na Nomeação de Messias
Desde que Lula anunciou a indicação de Messias, as relações com Alcolumbre se tornaram tensas. Embora o rito regimental tenha avançado nesta semana com o envio da proposta ao Congresso, governistas admitem que ainda não há votos suficientes para garantir a aprovação do nome durante a sabatina. Um auxiliar próximo de Lula ressalta que o próximo ministro da SRI deve ter uma boa relação com o presidente e servir como um nome de confiança, uma vez que o cargo exige comunicação frequente com o chefe do Executivo.
Além disso, a escolha do novo ministro é complexa, pois diversos candidatos que poderiam ser bons nomes estão se preparando para as eleições. Inicialmente, o nome de Olavo Noleto, secretário do Conselhão, foi considerado, mas a falta de um perfil mais alinhado ao Parlamento levou a um recuo na escolha. Outros nomes ventilados incluem o senador Otto Alencar (PSD-BA), o deputado José Guimarães (PT-CE) e o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.
Otto Alencar é presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, um posto estratégico, e aliados de Lula argumentam que não seria prudente retirar um aliado de uma posição tão importante em um momento delicado na relação entre o Senado e o Planalto. Guimarães, por sua vez, está focado na corrida ao Senado, o que inviabiliza sua nomeação. Wellington Dias, embora próximo a Lula, já foi convocado para coordenar a campanha do presidente à reeleição e não manifestou interesse em assumir a SRI.
Possíveis Alternativas e Perspectivas Futuras
Embora não possa ser descartada a possibilidade de que algum ministro atual, que não participará das eleições, seja transferido para a SRI, essa opção é vista como remota. Um nome cogitado, Waldez Góes, atual ministro do Desenvolvimento Regional, é próximo de Alcolumbre e desistiu de concorrer. No entanto, um interlocutor frequente de Lula aponta que essa possibilidade não é forte neste momento.
Integrantes do Planalto indicam que Marcelo Costa deve ocupar a SRI interinamente, enquanto a escolha do novo ministro não é definida. Aliados ressaltam que essa decisão não deve demorar, considerando a urgência em avançar com pautas importantes no Congresso, especialmente antes que as atividades parlamentares sejam afetadas pelas eleições, que tradicionalmente esvaziam o Parlamento a partir de agosto. Dois governistas envolvidos nas discussões afirmam que Lula deve buscar aliados nos próximos dias para acelerar o processo de nomeação.
O cargo da SRI é vital, pois é responsável pela articulação do Executivo junto ao Congresso Nacional e pela gestão das emendas parlamentares. Quando Lula assumiu o governo, a pasta foi ocupada por Alexandre Padilha, que posteriormente deixou o cargo para assumir o Ministério da Saúde em março de 2025.
Naquele período, líderes da Câmara e do Senado sugeriram que Lula indicasse um parlamentar do Centrão para melhorar a relação do Executivo com o Legislativo, que até então enfrentava altos e baixos. No entanto, Lula decidiu manter a indicação de Gleisi ao cargo, contrariando essas recomendações.
Um ministro, sob condição de anonimato, revelou que aconselhou o presidente a considerar um nome fora do PT, como uma forma de sinalizar ao Congresso e reforçar a ideia de um governo de frente ampla. Isso poderia ser um movimento estratégico, especialmente em um ano eleitoral, quando alianças com partidos centristas estão sendo negociadas. Entretanto, interlocutores próximos a Lula afirmam que esse debate ainda não está em pauta, e que a escolha do próximo ministro dependerá, fundamentalmente, da confiança que ele possa estabelecer com o presidente e sua capacidade de transitar entre os parlamentares, independentemente do partido ao qual pertença.
Além da aprovação de Messias, o governo também busca a aprovação de propostas relevantes, como a PEC da Segurança Pública, a regulamentação do trabalho de entregadores por aplicativo e a proposta de alteração da jornada de trabalho, enfatizando a necessidade de evitar atritos com o Congresso em um ano eleitoral.

