Velório e despedida
O corpo de Epaminondas Xavier Gracindo, conhecido como Gracindo Júnior, será velado nesta quarta-feira (3) no Crematório e Cemitério da Penitência, com início às 12h10. A cerimônia de cremação está marcada para as 14h10, encerrando os momentos de despedida desse ícone das artes brasileiras.
Início e diversidade artística
Gracindo Júnior começou sua carreira ainda jovem, aos 15 anos, na Rádio Nacional, onde atuou como ator, redator e disc-jóquei. Filho do renomado ator Paulo Gracindo, ele inicialmente chegou a cursar psicologia, mas optou por seguir a vocação artística, estendendo sua atuação para o teatro, cinema e televisão.
Além disso, sua trajetória contemplou funções de direção e supervisão de dramaturgia, refletindo a versatilidade que marcou sua vida profissional.
Atuação e perseguição política
Militante do Partido Comunista, Gracindo Júnior enfrentou a repressão da ditadura militar, que o cassou em 1964, impedindo-o de trabalhar no rádio. Apesar disso, já acumulava experiência em emissoras de TV como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi.
Na TV Globo, integrou o elenco fundador, participando de novelas da fase inicial da emissora, com trabalhos em produções como “Rosinha do Sobrado” (1965), “Padre Tião” (1966) e “A Rainha Louca” (1967). Também esteve em “O Bem-Amado” (1973), obra de Dias Gomes, e “Supermanoela” (1974).
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Reconhecimento em “O Casarão” e direção teatral
O papel que marcou Gracindo Júnior veio em 1976, ao interpretar o pintor João Maciel na novela “O Casarão”, escrita por Lauro César Muniz. A trama, que abordava diferentes épocas, destacou a parceria artística entre pai e filho, que interpretaram versões do mesmo personagem.
Naquele ano, ele também estreou como diretor teatral com a peça “A Longa Noite de Cristal”, de Oduvaldo Vianna Filho, e em seguida dirigiu a peça “É”, de Millôr Fernandes, em Portugal, onde ficou em cartaz por quatro meses.
Atuação em direção e supervisão na televisão
De volta ao Brasil, em 1978, Gracindo Júnior assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h na Globo, acompanhando a produção de “A Sucessora”, de Manoel Carlos. Nos anos seguintes, dirigiu novelas e programas como “Memórias de Amor”, “Marron-Glacé” e “Os Trapalhões” (1983). Também foi um dos pioneiros na direção e apresentação dos primeiros clipes musicais exibidos no “Fantástico”.
Em 1980, homenageou o pai com a peça “Paulo Gracindo, Meu Pai” e dirigiu as últimas peças em que Paulo atuou, como “Num Lago Dourado” (1991) e “A História é uma História” (1993).
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Novos rumos e retorno à TV Globo
Em 1984, Gracindo Júnior trabalhou na TV Manchete, interpretando Dom Pedro 1º em “A Marquesa de Santos”. Dois anos depois, atuou em “Dona Beija” e em outras produções como “Tudo ou Nada” (1987) e “Uma Onda no Ar” (1994).
De volta à Globo, participou de minisséries e novelas como “Tenda dos Milagres” (1985), “Mandala” (1987) e “Rainha da Sucata” (1990), mantendo presença constante na televisão até a década de 2000, com trabalhos em “Celebridade” (2003) e “Como uma Onda” (2004).
Carreira nos anos 2000 e legado teatral
A partir de 2006, ampliou sua atuação para a Record, com novelas como “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo” (2009), além da minissérie “Rei Davi” (2012). Paralelamente, manteve uma intensa rotina no teatro, atuando, produzindo e dirigindo mais de 20 peças.
Gracindo Júnior deixa um legado marcante na cultura brasileira, refletido na diversidade artística e na dedicação ao ofício, que atravessou rádio, televisão e teatro ao longo de mais de cinco décadas.

