Transformação Necessária nas Redes Sociais
O influenciador digital Felca, conhecido como Felipe Bressanim Pereira, fez declarações impactantes nesta segunda-feira, 23, sobre a responsabilidade das redes sociais em criar um ambiente mais seguro para crianças. Ele afirmou que, se realmente houvesse respeito genuíno pela infância, as plataformas seriam capazes de se adaptar para evitar a exploração e a sexualização de menores.
Felca, natural de Londrina, Paraná, iniciou sua trajetória na internet em 2012 como streamer de videogames. Desde então, conquistou uma grande audiência, especialmente no YouTube, onde possui mais de 4 milhões de inscritos. Seu vídeo sobre “adultização”, publicado em agosto de 2025, rapidamente se tornou viral e gerou um intenso debate nas redes sociais ao denunciar a exposição inadequada de crianças em conteúdos online.
O vídeo alcançou milhões de visualizações e fez com que Felca se tornasse um nome amplamente discutido nas plataformas sociais. Em virtude de sua repercussão, a lei que regulamenta o uso da internet para menores de idade recebeu o apelido de “Lei Felca”, embora o influenciador tenha enfatizado que não participou da criação da legislação.
Sobre a surpreendente recepção de seu vídeo, Felca comentou: “Em nenhum momento eu imaginei que isso poderia gerar uma legislação. Acredito que as redes sociais pensaram que iriam excluir o vídeo, mas a realidade foi outra. A sociedade tomou a iniciativa de debater o tema e, assim, esse assunto ganhou força”, explicou.
Pontos Críticos do ECA Digital
Ao discutir os aspectos negativos do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), Felca destacou que o decreto exige verificação de idade, mas não especifica como isso deve ser implementado. “Cada plataforma adota uma abordagem diferente. Algumas utilizam reconhecimento facial, que, na verdade, tem se mostrado ineficaz”, criticou.
Além disso, ele expressou preocupação com a regulamentação das casas de apostas online. “Uma das minhas prioridades seria estabelecer regras claras para as bets, pois suas propagandas não refletem a seriedade que o assunto exige”, afirmou Felca.
A discussão sobre o ECA Digital envolveu seis especialistas que analisaram as inovações e desafios da nova legislação. Entre os painelistas estavam Bruno Lucca, da Folha de S.Paulo; Daniel Becker, do jornal O Globo; Fernanda Campagnucci, do InternetLab; Iberê Dias, juiz da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJ-SP; Maria Mello, integrante do Eixo Digital do Instituto Alana; e Renata Cafardo, repórter especial e colunista do Estadão.
Principais Diretrizes da Nova Legislação
O ECA Digital traz diversos pontos relevantes, como a proibição da monetização de conteúdos considerados “vexatórios” envolvendo crianças. Isso inclui a exploração e o abuso sexual, publicações que retratam crianças de forma erotizada, além de outros tipos de violência e pornografia.
Uma das determinações mais rigorosas é que responsáveis por influenciadores mirins devem obter autorização judicial para permitir qualquer lucratividade gerada por seus conteúdos. Na ausência dessa autorização, o decreto exige que o material seja removido imediatamente das plataformas.
Outros aspectos do ECA Digital visam prevenir o uso excessivo de redes sociais por crianças. A legislação proíbe ações como a ativação de novos conteúdos sem solicitação, oferecimento de recompensas por tempo de uso e notificações excessivas, estabelecendo uma estrutura que busca promover um ambiente digital mais saudável e seguro para o público infantil.

