Indústria paranaense busca eficiência diante da escassez de trabalhadores
O crescimento da indústria no Paraná esbarra em um desafio claro: a falta de mão de obra disponível. Com o desemprego em níveis baixos, as empresas enfrentam dificuldade para contratar novos funcionários mesmo diante da intenção de ampliar a produção. Diante desse cenário, a saída encontrada pela indústria é apostar cada vez mais em tecnologia e inovação para aumentar a produtividade das equipes atuais.
João Arthur Mohr, superintendente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), destaca que essa realidade foi um dos principais motivadores para a realização da Expo + Indústria, evento promovido pela entidade no Expotrade Convention Center, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no final de agosto. Durante a preparação para a feira, a Fiep ouviu cerca de quatro mil empresários em diferentes regiões do estado, identificando três obstáculos centrais para o crescimento industrial: energia, disponibilidade de trabalhadores e infraestrutura logística.
Automação como resposta estratégica para ampliar a produção
Ao considerar a dificuldade em ampliar o quadro de funcionários, a automação surge como uma alternativa viável para elevar a produtividade. Mohr explica que não se trata de substituir trabalhadores por robôs, mas sim de liberar os profissionais para funções que agreguem mais valor, enquanto máquinas assumem tarefas repetitivas e operacionais. Processos como envase, fechamento de embalagens, organização e paletização são exemplos de etapas que podem ser automatizadas.
Além do chão de fábrica, a tecnologia também transforma áreas administrativas e comerciais ao automatizar registros manuais, utilizando sistemas de gestão e códigos de barras para agilizar processos e reduzir erros.
Tecnologia aplicada em diferentes setores da economia
A startup Irrigate exemplifica como a inovação impacta diversos segmentos. Sua tecnologia analisa o solo em cerca de dez segundos, enquanto o método tradicional pode demorar até 21 dias. Além disso, o sistema avalia condições climáticas e pode ajustar automaticamente a irrigação, adubação e climatização, otimizando recursos e aumentando a eficiência agrícola.
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Fonte: amapainforma.com.br
A empresa também monitora temperatura, umidade, pressão e concentração de CO₂ em ambientes como câmaras frias e transporte de cargas, ampliando o uso da tecnologia para rastreabilidade e controle de qualidade. Desde que entrou no programa de aceleração da Fiep, a Irrigate ampliou sua carteira de clientes de 200 para cerca de 700, expandindo sua atuação para outras regiões do Brasil e América do Sul.
Economia circular ganha espaço com reaproveitamento de baterias
Outra inovação em destaque é a proposta da startup i9+ Baterias Elétricas e Energias, que busca dar uma segunda vida às baterias de veículos elétricos. Desenvolvida dentro do Senai, a tecnologia permite que essas baterias, após sua vida útil nos carros, sejam reaproveitadas em sistemas de armazenamento de energia, alinhando-se ao conceito de economia circular.
O engenheiro mecânico Sandro Moreira da Silva, responsável pelo projeto, ressalta que os desafios vão além da tecnologia, envolvendo questões de propriedade intelectual, tributação e regulamentação para viabilizar o reaproveitamento econômico. A iniciativa pode gerar impactos ambientais positivos, além de criar oportunidades de emprego e fornecer energia para pequenas propriedades rurais e famílias sem acesso à eletricidade.
Inovação também na relação entre indústria e consumidor
Durante a Expo + Indústria, foi apresentada a Stickin, plataforma que utiliza gamificação para fortalecer o relacionamento entre marcas e consumidores. Inspirada nos álbuns de figurinhas, a ferramenta digital permite que as empresas coletem dados sobre o comportamento de compra, inclusive por meio da leitura de cupons fiscais no ponto de venda, algo que nem sempre é possível nas vendas tradicionais em supermercados.
O empresário Carlos Simm destaca que a plataforma pode ser aplicada em diversos setores, como varejo, serviços, turismo e educação, transformando uma interação simples em uma fonte contínua de dados e comunicação entre marca e cliente.
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Fonte: acreverdade.com.br
Parque Tecnológico da Fiep estimula inovação colaborativa
Para que essas soluções cheguem ao mercado, é fundamental criar ambientes que conectem empresas às startups e centros de inovação. O Parque Tecnológico da Fiep, que completou um ano, nasceu exatamente para esse propósito. A supervisora Julia Maia explica que o parque oferece infraestrutura, programas de aceleração e mentorias para facilitar a aproximação entre quem enfrenta desafios e quem desenvolve soluções tecnológicas.
Além disso, o parque promove projetos voltados à mobilidade e simplifica o acesso da indústria a novas tecnologias, ajudando a transformar ideias em negócios viáveis.
Produtividade como estratégia essencial para o futuro da indústria
A discussão sobre o futuro da indústria vai muito além da imagem tradicional de fábricas robotizadas. O foco está na capacidade de usar tecnologia para eliminar gargalos e ampliar a produção sem depender exclusivamente do aumento do número de funcionários. A Fiep mantém a Jornada da Produtividade, um programa que, em parceria com o Sebrae, oferece consultorias gratuitas ou a custos reduzidos para pequenas e médias indústrias identificarem oportunidades de melhoria.
As soluções variam desde mudanças no layout da fábrica até a automação de processos e eficiência energética. A mensagem central destacada por Mohr é que inovação pode começar com iniciativas simples, como a reorganização de processos ou o uso de softwares, e não necessariamente exige altos investimentos em máquinas.
Em um mercado de trabalho restrito, a capacidade de produzir mais com os recursos humanos e tecnológicos disponíveis se tornou uma estratégia vital para a sobrevivência e crescimento das indústrias paranaenses.

