Painel sobre manejo de plantas daninhas
Aspectos técnicos e comerciais do manejo da planta daninha caruru-roxo (Amaranthus hybridus) na cultura da soja serão discutidos no painel “Plantas daninhas de difícil controle – desafios no manejo”, que ocorrerá no dia 13 de abril, das 10h30 às 12h, no auditório do Pavilhão SmartAgro, durante a Expo Londrina, em Londrina (PR). Organizado pela Embrapa Soja, o evento contará com a participação de representantes de cooperativas como Cocamar, Coamo e Integrada, com o intuito de debater os desafios enfrentados pelos produtores na última safra em relação ao controle de plantas daninhas.
O crescimento da infestação de caruru
O pesquisador da Embrapa Soja, Rafael Romero Mendes, será o responsável por conduzir o debate, trazendo uma visão contextualizada sobre o tema. Ele destaca que, nos últimos quatro ciclos de safra, a infestação da planta caruru aumentou consideravelmente no Rio Grande do Sul. Contudo, na última safra, o manejo dessa planta se tornou um desafio também para produtores de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Mendes explica que, embora existam várias espécies de caruru, as mais problemáticas compartilham características de agressividade. Geralmente, a planta apresenta um crescimento veloz, sementes pequenas, facilidade de dispersão e alta taxa de germinação.
Causas da resistência dos herbicidas
Segundo Mendes, o aumento da área infestada é atribuído à resistência do caruru a certos herbicidas, além da disseminação de sementes através de maquinário agrícola. “Recomendamos como medida preventiva a limpeza do maquinário, uma ação simples que pode minimizar a dispersão das sementes. Manter o solo coberto com palhada também é uma estratégia eficaz para inibir a germinação do caruru”, sugere o pesquisador.
Novas biotecnologias e uso de herbicidas
Mendes também aponta como alternativa o uso de cultivares com biotecnologias modernas. Em relação aos herbicidas, ele menciona que existem opções para serem aplicadas antes da emergência da soja, com o intuito de impedir a germinação de plantas daninhas. “A escolha da aplicação varia conforme a presença do caruru na área ou nas adjacências. Quando há resistência ao glifosato, o uso de pré-emergentes se torna crucial”, explica.
A importância dos pré-emergentes
O uso de herbicidas pré-emergentes no controle do caruru (Amaranthus hybridus) tem se intensificado nas últimas safras, sendo uma prática que demanda cuidados específicos para evitar problemas na cultura da soja. Mendes destaca que esses herbicidas são eficazes em impedir a germinação de plantas daninhas logo após o plantio. Entretanto, cada produto possui particularidades e pode ter efeitos variados dependendo do tipo de solo, das condições climáticas e da cultivar de soja utilizada. “Um ponto crítico é o risco de fitotoxicidade, que são os danos que o herbicida pode causar à própria cultura. Resíduos do produto no solo podem resultar em injúrias nas plantas, emergência irregular e falhas no estande”, alerta Mendes.
Rejeições de cargas de soja
Outro tema relevante que surge nas discussões é o aumento de casos de cargas de soja brasileira rejeitadas por compradores internacionais, especialmente pela China, devido à presença de sementes de plantas daninhas, incluindo o caruru. Mendes afirma que, mesmo em níveis considerados aceitáveis, algumas remessas foram recusadas, o que evidencia o rigor comercial e a influência dos importadores na decisão. Essa situação reacendeu o debate sobre a importância de um manejo eficiente de plantas daninhas durante todo o ciclo da cultura. “Não existem soluções isoladas; o controle deve ser implementado desde o início, para evitar que as plantas invasoras completem seu ciclo e produzam sementes que contaminem a colheita”, orienta o pesquisador.

