Movimentos Sociais e Educadores em Prol da EJA
Nos dias 22 e 23 de maio, Londrina será palco da Conferência Livre de Educação de Jovens e Adultos (EJA), promovida pelo Fórum Paranaense de EJA, pela APP-Sindicato de Londrina e pelo grupo de pesquisa “Educação, Estado Ampliado e Hegemonias” da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O evento ocorrerá na UEL e na sede da APP-Sindicato, com o intuito de discutir os caminhos da EJA e desenvolver propostas para a reconstrução dessa modalidade educacional, além de fortalecer o ensino público.
A programação se inicia na sexta-feira (22), no Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA) da UEL, com credenciamento a partir das 18h e abertura oficial prevista para as 19h. A mesa de abertura contará com uma análise da conjuntura atual da EJA no estado, mediada pela professora Adriana Farias, do Departamento de Educação da UEL. A docente abordará a situação da educação pública, tanto no Paraná quanto em escalas nacional e internacional.
As atividades prosseguem no sábado (23), na sede da APP-Sindicato, onde grupos de trabalho se dedicarão a temas variados, incluindo alfabetização de adultos e os anos iniciais do ensino, além do ensino fundamental II e do ensino médio. Ao final do encontro, participantes deverão elaborar coletivamente propostas sobre a situação da EJA no estado.
Os interessados podem se inscrever pelo site da UEL, recebendo uma certificação correspondente a 20 horas. O evento está aberto à comunidade e, inclusive, há a possibilidade de participação como ouvinte, sem necessidade de inscrição prévia.
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Para o professor Ivo Ayres, integrante da EJA e do Fórum Paranaense de EJA, a Conferência Livre busca ampliar o debate além dos profissionais da educação, aproximando a EJA de movimentos sociais e da comunidade em geral. O objetivo é reunir estudantes, pesquisadores, sindicatos e coletivos que atuam em pautas como antirracismo, direitos das mulheres, inclusão da população LGBTQIAPN+ e luta pela terra.
Ivo ressalta que a maioria dos alunos da EJA pertence à classe trabalhadora, o que reforça o compromisso com a educação popular. “Queremos um evento que tenha a participação de movimentos sociais”, explica. O professor também destaca que muitos estudantes enfrentam trajetórias marcadas por exclusões históricas e interrupções no acesso à educação. “Existem muitas mulheres que abandonaram os estudos devido a gravidez na adolescência ou por impedimentos familiares”, relata.
Desafios e Estatísticas da EJA
A exclusão racial é um fator que permeia a realidade da EJA. Conforme Ivo, “mais da metade dos alunos se autodeclaram afro-brasileiros, o que evidencia um processo estrutural de exclusão na educação”. Dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) corroboram essa visão, revelando que, entre 2013 e 2024, 70,1% dos alunos da EJA se identificam como negros e 60,5% são mulheres.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Além disso, o professor aponta a importância do acolhimento de adolescentes em situação de vulnerabilidade social que ingressam na EJA, seja após desistências escolares ou por encaminhamentos judiciais. “Embora a EJA não tenha sido originalmente criada para adolescentes, temos um compromisso em acolher esses jovens em situação de risco”, compartilha.
Uma pesquisa recente do Inep revela que, entre 2013 e 2024, o número de matrículas na EJA caiu de aproximadamente 3,8 milhões para cerca de 2,4 milhões. No Paraná, a redução foi alarmante, diminuindo de 125.881 matrículas em 2019 para apenas 31.743 em 2023, o que representa uma queda de 75% no número de estudantes.
Para além dos números, o encontro representa uma resposta aos retrocessos que a educação pública tem enfrentado nos últimos anos. “Durante a Conferência, vamos discutir a educação de jovens e adultos, analisando a situação atual da EJA no Paraná e planejando sua reconstrução”, afirma Ivo.
Ele salienta ainda que o processo de sucateamento da EJA ultrapassa a simples diminuição de matrículas; atinge diretamente o projeto pedagógico da modalidade. “O Fórum é um espaço de denúncia, mas também propositivo e educativo. Realizamos constantemente atividades de formação e manifestos contra o fechamento de escolas de EJA e contra a EJA à distância”, destaca.
A expectativa dos organizadores é que as discussões geradas durante a Conferência se ampliem no debate público, especialmente em um período eleitoral. “Queremos garantir que essas pautas da EJA sejam abraçadas nas candidaturas”, conclui Ivo.
O professor espera que a Conferência impacte estudantes, movimentos sociais e educadores: “A luta conjunta por uma educação pública, emancipadora e crítica é necessária para alcançarmos resultados significativos”, finaliza.
Serviço
Datas: 22 e 23 de maio
Horários: 22/05 às 19h e 23/05, manhã e tarde
Locais: Anfiteatro do CESA (UEL) e sede da APP-Sindicato

