Casas Bahia e Marabraz enfrentam crise financeira
O grupo Casas Bahia e a Marabraz deram um passo decisivo para garantir a continuidade de suas operações ao protocolar pedidos de recuperação judicial no último final de semana. A Casas Bahia busca renegociar uma dívida bilionária de aproximadamente R$ 17,3 bilhões, acumulada após oito trimestres consecutivos de prejuízo. Recentemente, a rede anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários, medidas que refletem o esforço para ajustar sua estrutura diante do cenário econômico adverso.
Já a Marabraz enfrenta a necessidade de renegociar dívidas na ordem de R$ 140 milhões, buscando preservar sua operação e evitar um colapso financeiro. Essas ações mostram a magnitude dos desafios enfrentados por grandes varejistas, que tentam se reestruturar para sobreviver no mercado competitivo.
Contexto do varejo: um histórico de empresas que tentaram se reinventar
Casas Bahia e Marabraz passam a integrar uma lista de grandes varejistas que, nos últimos anos, recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial para enfrentar dificuldades financeiras. Americanas, Grupo Pão de Açúcar, Casa & Vídeo e Tok&Stok são exemplos recentes que adotaram esse caminho para evitar o fechamento.
Leia também: Varejo brasileiro registra 986 empresas em recuperação judicial e enfrenta crise intensa
Leia também: Casa & Vídeo em Crise: Grupo CVLB Solicita Recuperação Judicial em 2026
Fonte: omanauense.com.br
Por outro lado, outras marcas que dominaram o setor em diferentes épocas não conseguiram se recuperar e acabaram desaparecendo. O Mappin, criado em São Paulo no início do século 20, foi uma das principais lojas de departamentos do país, mas fechou as portas em 29 de julho de 1999, acumulando uma dívida de cerca de R$ 1,2 bilhão. A Mesbla, fundada no Rio de Janeiro em 1912, chegou a ter 180 lojas e mais de 28 mil funcionários, mas teve a falência decretada em 1999.
Casos regionais e nacionais de falências e recuperações judiciais
A Arapuã, fundada em Lins, São Paulo, em 1957, alcançou mais de 220 lojas e um faturamento próximo a R$ 1,6 bilhão, mas sua dependência das vendas a prazo acabou contribuindo para a concordata em 1998, com dívida de aproximadamente R$ 1 bilhão. A falência só foi confirmada em 2020. A Casas da Banha foi a segunda maior rede de supermercados do país, com 224 lojas e mais de 20 mil funcionários em 1985, mas encerrou suas operações em 1999.
Na área de livrarias, a Saraiva foi destaque ao se tornar a maior rede do país, com mais de 100 lojas. Porém, a recuperação judicial em 2018, com passivo de R$ 675 milhões, não evitou o fechamento das últimas lojas físicas em 2023, quando a falência foi decretada. A Ricardo Eletro, fundada em 1989 em Divinópolis, chegou a ter cerca de 1,2 mil lojas e 28 mil funcionários, mas entrou em recuperação judicial em 2020 com dívidas de R$ 4 bilhões, fechando todas as lojas físicas.
Leia também: Recuperação Judicial em Mato Grosso: A Análise do Agronegócio pela Jurimetria
Fonte: novaimperatriz.com.br
Leia também: Casas Bahia e Marabraz entram em recuperação judicial com dívidas bilionárias
Fonte: feirinhadesantana.com.br
O Paraná também teve seus exemplos. A Hermes Macedo, criada em Curitiba em 1932, chegou a 285 lojas em seis estados, mas teve a falência decretada em 1997. A Disapel, com 110 lojas em quatro estados, encerrou suas atividades em junho de 2000. No Rio Grande do Sul, a Imcosul e a J.H. Santos enfrentaram dificuldades semelhantes e fecharam suas portas ao longo dos anos 1990.
Impacto regional e lições para o varejo brasileiro
As Lojas Paraíso, com presença em quatro estados do Nordeste, tiveram a falência decretada em 1999, enquanto a Livraria Cultura entrou em recuperação judicial em 2018, com dívidas de R$ 285 milhões. As Lojas Brasileiras encerraram as operações em 1999, com 63 unidades e cerca de 6 mil funcionários. A Ultralar e a Dudony também são exemplos de redes que não resistiram às transformações do mercado, com a última sendo vendida ao Grupo Silvio Santos em 2009 por cerca de R$ 33 milhões.
Esses casos mostram como o varejo brasileiro enfrenta desafios constantes de adaptação e gestão financeira. As recentes recuperações judiciais das Casas Bahia e Marabraz ilustram a urgência de reestruturação diante de um mercado cada vez mais competitivo, onde o controle das dívidas e a revisão de modelos de negócio são essenciais para a sobrevivência.

