Uma Abertura Marcante
No último final de semana, o auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão) foi palco de um espetáculo inesquecível, onde o Balé Teatro Guaíra deu início à sua temporada de apresentações de 2026 com a peça ‘Tempo de Movimento’. O evento atraiu quase 6 mil espectadores, gerando um ambiente de intensa emoção. Essa temporada também se torna especial com a despedida do bailarino Rodrigo Leopolldo, que está se preparando para seguir carreira na Europa. Ele foi homenageado na apresentação de domingo, 29.
Retornos e Novidades no Palco
‘Tempo de Movimento’ trouxe de volta ‘Unwaltz, isso não é uma valsa’, uma obra do coreógrafo Mathieu Guilhaumon apresentada pela primeira vez em maio de 2024, além de ‘Stol – uma questão de confiança’, de Alessandro Souza Pereira, que fez sua pré-estreia simultânea na Dinamarca e no Guairinha no ano anterior. Outra atração do espetáculo foi a estreia de uma nova criação: ‘Sospiri – ou sobre a finitude’, uma obra inédita do diretor do Balé, Luiz Fernando Bongiovanni.
As três peças se interligam ao explorar a temática dos ciclos como um movimento contínuo de reorganização. As coreografias foram inspiradas em composições da música clássica, executadas pela Orquestra Sinfônica do Paraná sob a regência do maestro convidado Gustavo Petri. Enquanto ‘Unwaltz’ é fundamentada nas valsas de Johann Strauss II, ‘Sospiri’ desenvolve-se a partir do adágio homônimo de Edward Elgar, e ‘Stol’ é contornada pelo célebre Bolero de Maurice Ravel.
A Experiência do Público
O público que teve a oportunidade de assistir ‘Tempo de Movimento’ viveu momentos de grande intensidade. A engenheira Maria Gaetner, frequentadora assídua do Balé Teatro Guaíra, expressou seu encantamento com a apresentação de ‘Unwaltz’. “Foi uma experiência maravilhosa, a sincronia entre música e dança foi excepcional. A valsa se transforma de maneira contemporânea, e isso é bastante interessante”, relatou.
A professora e advogada Ursula Andreia Ramos esteve acompanhada da mãe e da filha, e não conseguiu conter a emoção durante ‘Sospiri’. “Foi tudo maravilhoso. Ouvir a música ao vivo e sentir as emoções que surgem nas coreografias me tocou profundamente. Fiquei tão absorta que não consegui registrar nada. Foi lindo”, compartilhou.
Outro testemunho impactante veio da aposentada Lourdes de Campos, mãe de Ursula, que ficou maravilhada com ‘Stol’. “O espetáculo foi espetacular, a harmonia dos bailarinos, os elementos cênicos, tudo estava muito bem integrado”, elogiou. A filha de Ursula, a estudante Andrea Dias, de 12 anos, também se mostrou impressionada com a apresentação: “Foi muito bonito mesmo”.
Reflexões sobre as Coreografias
Amir Bovenschulte, estudante de pós-graduação, destacou o equilíbrio entre as três apresentações. “A primeira parte trouxe leveza, a segunda um drama e o fechamento me pareceu muito potente, como se fosse algo da terra. É sensacional como a leveza se transforma em drama, e depois culmina em um movimento mais intenso”, analisou.
Sobre as coreografias, ‘Unwaltz – isso não é uma valsa’ possui direção do bailarino francês Mathieu Guilhaumon, que é o atual diretor artístico do Ballet Nacional Chileno; a música é de Strauss, a cenografia foi criada por Beto Rolnik e os figurinos são de Janaína Castro. A figurinista, que reside em Belo Horizonte, estava presente na apresentação e ficou emocionada ao ver seu trabalho no palco. “Fiquei tão feliz, pois fiz os figurinos à distância e não pude assistir à estreia. Quando soube que haveria a reapresentação, não podia perder a oportunidade”, contou.
Por sua vez, ‘Sospiri ou Sobre a Finitude’, a nova obra de Luiz Fernando Bongiovanni, é um dueto apresentado pelos bailarinos Fernanda Verardo e Leonardo Giacomini. Inspirada no adágio de Elgar, a peça traz uma reflexão poética sobre a ideia de finitude, não apenas associada à morte, mas aos ciclos que compõem a experiência humana.
Por fim, ‘Stol’, de Alessandro Souza Pereira, explora a dualidade entre o construído pelo homem e a natureza. A palavra dinamarquesa, que significa “cadeira”, também remete à ideia de confiança. Os bailarinos utilizam seus corpos e movimentos para expressar contrastes, marcados pelo uso de figurinos e máscaras que cobrem totalmente os rostos, ampliando a narrativa do espetáculo.

