Divisão acirrada na Câmara de Arapongas
A Câmara Municipal de Arapongas decidiu abrir uma Comissão Processante (CP) contra o vereador Paulo Grassano, um movimento que ultrapassou o caráter formal e passou a ser interpretado como possível retaliação política. A votação que autorizou a CP foi marcada por uma margem estreita: 7 votos favoráveis, 6 contrários e 1 abstenção, evidenciando um forte racha interno na Casa.
Contexto e votos da Comissão Processante
Votaram a favor da abertura da Comissão Processante os vereadores Meiry Farias (PDT), Simone Almeida (PSD), Cecéu (PSD), Marcelo Junio (PP), Luisinho da Saúde (PSD), Valdecir Pardini (União Brasil) e Levi do Handebol (PSD). Já os votos contrários vieram de Aroldo Pagan (Podemos), Marilsa Vendrametto (PL), Arnaldo do Povo (Avante), Alexandre Juliani (União Brasil), Décio Rosanelli (Podemos) e o próprio Paulo Grassano. Toninho da Ambulância (União Brasil) optou pela abstenção.
Denúncias e alegações do vereador
A denúncia que motivou a Comissão Processante envolve contratos firmados entre o município e a empresa SSBarcar Veículos Ltda, que teria ligações familiares com Grassano. O vereador, porém, afirma que não faz parte do quadro societário da empresa desde agosto de 2024 e aponta irregularidades na acusação. Entre as inconsistências mencionadas, está a suspeita de assinatura falsificada, supostamente copiada da internet, além do uso de um IP interno da própria Câmara nos documentos apresentados. Essa situação levanta questionamentos sobre a origem e as motivações da denúncia.
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Percepção de retaliação política
Um episódio recente na Câmara reforça a tese de perseguição política. Paulo Grassano foi o único parlamentar a se manifestar contra a criação de um plano de saúde para os vereadores de Arapongas. Para seus apoiadores, essa posição teria causado desconforto entre os colegas, especialmente por se tratar de um benefício direto para os próprios parlamentares. O isolamento do vereador nesse voto ajuda a alimentar a suspeita de que a Comissão Processante tenha sido motivada por retaliação.
Clima tenso e postura independente
No ambiente interno do Legislativo, o clima permanece tenso. Aliados do vereador destacam sua postura firme e independente em votações consideradas sensíveis. Essa posição teria gerado resistência dentro da Câmara, levando à hipótese de que a Comissão Processante seja uma tentativa de enfraquecer politicamente um vereador que não se alinhou a certas decisões internas.
Reputação e próximos passos
Além das disputas políticas, a reputação pessoal e familiar de Paulo Grassano é um fator relevante. Ele e sua família são reconhecidos na cidade pela atuação empresarial e social, com ampla aceitação e respeito. O processo instaurado poderá se estender por até 90 dias, com desdobramentos que devem ser acompanhados de perto pela população e pelos demais atores políticos locais.

