Queda no número de endividados e aumento do valor das dívidas
O Paraná encerrou o primeiro semestre de 2026 com uma redução significativa no percentual de pessoas endividadas. Segundo a pesquisa Retrato Econômico do Paraná, elaborada pelo Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil, o índice caiu de 39% em 2025 para 26% neste ano. Apesar desse recuo, o levantamento aponta que o valor médio das dívidas em atraso aumentou consideravelmente, passando de uma faixa entre R$ 500 e R$ 2 mil para um intervalo entre R$ 2 mil e R$ 5 mil.
Dívidas em atraso: perfil e causas
Entre os inadimplentes, 32% possuem contas vencidas há entre 30 e 90 dias, enquanto 22% acumulam débitos atrasados entre 91 e 180 dias. Outros 19% não souberam informar o tempo de inadimplência. A principal causa para o endividamento continua sendo os gastos imprevistos, como despesas médicas e manutenção de veículos, que pressionam o orçamento familiar de forma inesperada.
Fatores que influenciam o endividamento
De acordo com João Norberto França Gomes, presidente do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil, Seção Paraná, embora a queda no número de endividados seja um dado positivo, o aumento do valor das dívidas requer atenção. Ele destaca que a situação reflete, sobretudo, a falta de planejamento financeiro e o cenário econômico atual, marcado pela alta da taxa de juros.
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O levantamento também aponta que a falta de planejamento financeiro diminuiu de 28% para 20%, mas o consumo excessivo subiu de 11% para 16% no período analisado. Quanto ao tipo de dívida, o cartão de crédito lidera a lista, mencionado por 30% dos entrevistados, seguido por empréstimos pessoais (19%) e crediário ou carnês de lojas (11%).
Impacto na renda e importância da reserva de emergência
Outro dado preocupante é que 36% dos entrevistados não sabem quanto da sua renda está comprometida com dívidas, e 15% afirmam não conseguir arcar com os pagamentos. A pesquisa revela ainda que 62% dos paranaenses não possuem reserva de emergência, percentual que permanece inalterado em relação ao primeiro semestre de 2025.
João Norberto reforça que manter uma reserva financeira é fundamental para evitar o endividamento diante de imprevistos. Para quem já acumula dívidas, a recomendação é buscar renegociação para equilibrar as finanças.
Protesto como instrumento de recuperação de crédito
A pesquisa também destaca a eficácia dos Cartórios de Protesto na recuperação de crédito. Mais de 60% dos entrevistados disseram que pagariam suas dívidas caso fossem intimados pelos cartórios, e 73% afirmaram que quitariam os débitos se oferecida uma renegociação pelo credor.

