A estratégia simples que revolucionou a interação entre equipes
Enquanto muitas empresas investem altas quantias em plataformas digitais, pesquisas de clima e programas elaborados para engajar seus colaboradores, uma distribuidora de lubrificantes de Curitiba encontrou uma solução inesperada: um álbum de figurinhas com os rostos dos próprios funcionários. A Acipar, que opera no Paraná e possui cerca de 100 colaboradores, aproveitou o clima contagiante da Copa do Mundo para criar uma dinâmica que aproximasse setores diferentes, promovendo um senso real de pertencimento.
Essa ação, inicialmente uma brincadeira, confirma um conceito defendido por especialistas em cultura organizacional: as conexões mais sólidas dentro das empresas nascem de interações simples e genuínas entre as pessoas. O álbum virou uma ferramenta poderosa para fortalecer os laços entre os colaboradores, incentivando o contato direto e a troca de experiências no dia a dia.
Como funciona a troca de figurinhas e seus impactos comportamentais
A mecânica do álbum é direta. Cada figurinha foi distribuída aleatoriamente entre os funcionários, que precisam interagir com colegas de outros setores para completar sua coleção. Não há atalhos: a interação é obrigatória. Além disso, os colaboradores foram divididos em quatro perfis comportamentais — Gatos, Tubarões, Lobos e Águias — fazendo referência ao universo futebolístico tão presente no imaginário nacional durante a Copa.
Esses perfis representam diferentes formas de trabalhar e se relacionar, o que transforma a simples troca de figurinhas em uma oportunidade para autoconhecimento e descoberta dos colegas. “Queríamos aproveitar a energia da Copa, esse senso de time que o brasileiro tem no sangue, e trazer isso para dentro da empresa. A intenção sempre foi mais profunda do que uma brincadeira. Queríamos que as pessoas se vissem como parte de um elenco, cada uma com um papel único e necessário”, explica Luiz Alberto Gomes Jr., diretor-executivo da Acipar.
O poder das conexões horizontais na cultura organizacional
Essa iniciativa da Acipar está alinhada com uma tendência crescente na gestão de pessoas: o fortalecimento das conexões horizontais dentro das organizações. Pesquisas da consultoria Gallup indicam que colaboradores com amigos próximos no trabalho apresentam maior engajamento, produtividade e menor rotatividade. No entanto, em empresas com setores segmentados, essas relações nem sempre se formam espontaneamente e precisam ser estimuladas.
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A proposta da distribuidora paranaense cria o que os especialistas chamam de “fricção positiva” — um motivo concreto para que pessoas que normalmente não teriam contato passem a se conhecer. “O que mais me surpreendeu foi ver colaboradores que trabalham aqui há anos descobrindo coisas sobre colegas que sentam a dez metros de distância. Isso não tem preço”, afirma Gomes Jr.
Cultura organizacional construída nas pequenas interações
O conceito por trás da ação não é novidade para estudiosos de comportamento organizacional. Edgar Schein, referência mundial no tema, defende que a cultura de uma empresa se constrói nas interações cotidianas e não apenas em grandes eventos ou discursos institucionais. A Acipar conseguiu criar um ambiente onde essas pequenas interações aconteceram de forma mais intensa e natural, aproximando pessoas que normalmente não se comunicam.
O resultado é visível nos corredores da empresa, com colaboradores circulando entre setores, conversas que vão além da simples troca de figurinhas e um sentimento crescente de pertencimento a um time maior e mais diverso. Luiz Alberto Gomes Jr. destaca: “Percebemos pessoas descobrindo talentos e características em colegas que desconheciam. Os colaboradores acabam encontrando hobbies e gostos em comum. Essas conexões constroem algo que nenhum treinamento consegue substituir”.
Inovação acessível e impacto real na cultura empresarial
O mercado de soluções para engajamento corporativo no Brasil movimenta bilhões de reais, com ofertas que vão de plataformas de reconhecimento a aplicativos internos e programas complexos. No entanto, a experiência da Acipar levanta uma reflexão importante: o impacto de uma solução está necessariamente ligado à sua complexidade?
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A resposta encontrada pela distribuidora é clara. Às vezes, uma simples figurinha com o rosto de um colega pode ser mais eficaz do que sistemas sofisticados, dependendo do objetivo da empresa. “Não precisávamos de tecnologia avançada, mas sim de criatividade e da crença de que as pessoas querem se conectar, só precisam de um motivo”, resume o diretor-executivo.
O legado de uma ação que vai além da Copa do Mundo
A iniciativa ainda está em andamento, mas os resultados já são sentidos pela liderança. O trânsito espontâneo entre setores aumentou, as conversas nos espaços comuns se tornaram mais frequentes e os colaboradores começaram a comentar sobre os perfis comportamentais uns dos outros, sinal de que a linguagem dos “quatro times” está incorporada ao cotidiano.
Para o RH, esse é o maior indicador de sucesso: quando uma ação deixa de ser pontual e passa a transformar a forma como as pessoas se enxergam dentro da organização. “No fim, o álbum vai ser completado e a Copa vai acabar. Mas as conversas que começaram aqui, essas ficam”, conclui Luiz Alberto Gomes Jr.
A Acipar é distribuidora autorizada Moove para Lubrificantes Mobil e produtos Tirreno no Paraná, atendendo mais de 18 mil clientes e contando com cerca de 100 colaboradores.

