Andamento da Investigação
A Comissão Processante (CP) que investiga a vereadora Anne Moraes, do partido Avante, inicia nesta terça-feira (12), a partir das 8h, a audiência das testemunhas indicadas tanto pela parlamentar quanto pela própria comissão. A investigação gira em torno da acusação de que a vereadora teria utilizado os serviços de assessores de seu gabinete, que também são advogados, para atuar em processos particulares sem vínculo com suas funções na Câmara Municipal de Londrina (CML).
Entre os nomes citados para depor estão os advogados Rafael Carlos da Silva Zandonadi, Pedro Lucas Sterchille e Régis Cotrin Abdo, que prestaram serviços no gabinete de Anne no início de 2025. Os três foram convocados tanto pela vereadora quanto pela Comissão Processante, que busca esclarecer os fatos relacionados ao caso.
Histórico da Comissão e Impedimentos
A CP foi instaurada pelo plenário da Câmara no dia 7 de abril e tem prazo para concluir seus trabalhos até julho. No entanto, a defesa de Anne solicitou o afastamento da presidente da comissão, a vereadora Michele Thomazinho (PL), alegando um suposto “histórico de litigiosidade judicial” entre ambas. Contudo, a Procuradoria Legislativa avaliou que não havia justificativas suficientes para declarar a suspeição da presidente.
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Além disso, a defesa ainda requereu a exclusão de documentos de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), que investiga a mesma denúncia contra Anne. Essa ação foi protocolada em setembro de 2025, enquanto a representação na CML foi feita anteriormente, em abril do mesmo ano, pela ex-coordenadora de campanha da vereadora.
A CP aceitou parcialmente o pedido, mas decidiu que os depoimentos dos ex-assessores, feitos no âmbito da ação judicial, poderão ser utilizados para instruir o processo na Câmara Municipal. A Procuradoria argumentou que esses depoimentos foram elaborados pelas testemunhas indicadas pela denunciada e tratam diretamente dos fatos alegados na denúncia.
Acusações e Defesa da Vereadora
Conforme a denúncia, a vereadora teria nomeado um advogado para seu gabinete em janeiro de 2025, com um salário superior a R$ 9 mil e carga horária de 30 horas semanais. Segundo as acusações, durante o expediente e nas dependências da Câmara, esse servidor atuou como advogado particular de Anne, participando até mesmo de uma audiência a partir da CML. A denúncia ainda alega que, após a exoneração desse servidor, outros advogados passaram a atuar em ações judiciais relacionadas à parlamenta.
A defesa de Anne, por sua vez, defende que as atuações em processos particulares foram resultado de contratos privados estabelecidos antes das nomeações, ou de colaborações ocasionais sem ônus ao erário. O advogado Maurício Carneiro declarou que não houve qualquer utilização indevida da estrutura do Legislativo para fins pessoais, ressaltando que os assessores têm a possibilidade de desenvolver outras atividades profissionais particulares, visto que a legislação não impõe restrições a esse respeito.

