Início de Uma Nova Jornada Educacional
Na tarde desta segunda-feira (4), 27 jovens do ensino médio deram um passo importante em direção à preparação para vestibulares e ao Enem. O Colégio Estadual do Campo Maria Aparecida Rosignol Franciosi recebe a Rede de Cursinhos Territórios Populares do Saber (UEL – PR), com o Assentamento Eli Vive se destacando como o primeiro a implementar essa iniciativa.
As aulas, que começam hoje, são ministradas por um time de 13 professores do Programa de Extensão Práxis Itinerante e ocorrerão de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 17h40. Os estudantes terão acesso a materiais do Cursinho Especial Pré-Vestibular da UEL, o CEPV, que serão disponibilizados gratuitamente.
Articulação e Apoio do Governo Federal
A vereadora de Londrina, Lenir de Assis, que já atuou como Deputada Federal do Paraná (2025-2026), foi uma das responsáveis pela articulação junto ao Ministério da Educação (MEC). Durante seu mandato, ela viu a necessidade de ampliar o número de vagas em cursinhos populares, que na época somavam apenas 130. “Conversamos com a SECADI (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão) para expandir a oferta, pois queríamos mais cursinhos em Londrina. A conversa com o Ministro Camilo Santana resultou em um orçamento que aprovou mais de 1200 cursinhos populares em todo o Brasil”, explicou Lenir.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
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Fonte: belzontenews.com.br
O CPOP, iniciado este ano, oferece aos jovens as condições necessárias para se prepararem para o vestibular, incluindo uma bolsa de R$200, válida por nove meses. Além disso, há um fomento destinado à equipe pedagógica para assegurar a gestão do cursinho.
Um Novo Tempo para a Educação
Edelvan Carvalho, diretor político do Eli Vive, compartilhou que sua visita a Brasília, onde conversou com o Ministro da Educação, resultou em aplausos e apoio ao projeto do cursinho popular. “Graças à nossa iniciativa, abriram-se mais dez cursinhos em territórios de reforma agrária em todo o Brasil”, celebrou Edelvan.
Germano Almeida, estudante de Ciências Sociais e coordenador do cursinho, enfatiza a importância de entender o contexto histórico e cultural do Eli Vive. “Quando trazemos um cursinho para uma área rural com um legado de luta pela reforma agrária, é essencial reconhecer que a percepção sobre educação é diferente aqui. Nossa escola não tem muros altos ou portões imponentes, e o cuidado se dá de uma forma mais aberta e flexível”, afirma.
Superando Desafios Pessoais e Coletivos
Gilda Maria Fernandes, dirigente de educação no assentamento e residente desde 2009, expressa seu orgulho pela mobilização da comunidade, especialmente por ver seu filho entre os alunos. “Comecei a estudar tarde, aos 45 anos, então essa conquista me faz muito feliz. Hoje, ao ver a sala cheia, sinto que nossa luta valeu a pena. O campo sempre foi marginalizado, mas o que temos, enquanto Movimento Sem-Terra, é fruto de esforço e persistência”, compartilha.
Gilda ficou atenta à divulgação do edital para inscrição dos cursinhos, que encontrou em uma postagem no Facebook. Com determinação, participou de reuniões e trabalhou com o Programa de Extensão Práxis Itinerante para apresentar a documentação necessária, sendo a proposta aceita.
Contribuições Culturais e Históricas
Óscar Domingos, professor aprovado no último concurso da UEL, será responsável pelo Ciclo de Cultura no Cursinho Popular. Ele destaca a importância da gratuidade e do apoio federal, além da inclusão de aulas sobre História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena, conforme a Lei 10.639/2003. “Pretendemos trabalhar a partir da realidade do assentamento e planejar visitas a terreiros e museus, possibilitando reflexões que impactem a vida social dos assentados”, afirma.
A proposta do Ciclo Cultural também se destina a preparar os estudantes para enfrentarem as diversas questões sociais que permeiam a vida universitária, como homofobia e racismo. “Este cursinho será um espaço de combate a todas as violências que o ambiente acadêmico pode apresentar”, conclui Óscar.
Uma Nova Experiência e Oportunidade
Arnaud Ayemenet, mestrando em Arquitetura pela UEL, focará no ensino de ciências exatas, como matemática e química. Ele também participou da aula inaugural e teve seu primeiro contato com um assentamento e a luta pela reforma agrária. “Fiquei surpreso com a organização e a estrutura do local, e pude ver até onde a luta chegou”, comenta.
Victor Hugo Merede, estudante de Letras, dividirá a responsabilidade de dar aulas de redação. Ele, como Arnaud, ficou impressionado com a vivência no Eli Vive, que desafiou suas expectativas sobre a vida rural, mostrando um ambiente de coletividade e potencial transformador.

