Desigualdade na Conectividade Educacional
Embora o Brasil tenha alcançado a marca de 72% de escolas com acesso adequado à internet, preocupa o fato de que um terço das instituições públicas ainda enfrenta dificuldades em termos de conectividade. Em comparação ao ano anterior, quando apenas 43% das escolas apresentavam uma conexão satisfatória, os dados mais recentes revelam um avanço significativo, de acordo com informações do governo federal sob a gestão de Lula.
As disparidades regionais continuam a ser um desafio, com alguns estados, especialmente na região Norte, enfrentando índices alarmantes de adequação que variam entre 30% e 58%. Para contornar essa situação, os governos estaduais possuem um saldo disponível de R$ 1,97 bilhão, que foi garantido por uma lei federal aprovada em 2021 para impulsionar a conectividade nas escolas.
São Paulo e o Desempenho Regional
O estado de São Paulo, surpreendentemente, apresenta um dos piores resultados do país, com apenas 64% das escolas consideradas com conectividade adequada, conforme dados do Ministério da Educação (MEC). Em contrapartida, os estados do Paraná e Piauí lideram o ranking, alcançando 86% e 84%, respectivamente.
A meta do governo é conectar todas as escolas públicas do Brasil, compromisso assumido pelo presidente Lula desde o início de seu mandato. Em 2023, foi lançada a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), com a promessa de universalizar o acesso à internet nas instituições de ensino.
Indicadores e Avanços na Conectividade
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No final do ano passado, o MEC implementou um novo indicador com cinco níveis de conectividade, que considera a qualidade do acesso, a velocidade da internet e a disponibilidade de Wi-Fi. Atualmente, cerca de 99 mil escolas estão classificadas como adequadas para uso pedagógico (níveis 4 e 5), enquanto 39 mil permanecem sem conexão satisfatória. Dentro deste grupo, 7.300 escolas (aproximadamente 5%) não possuem nem mesmo Wi-Fi adequado.
Entre as instituições que têm acesso satisfatório, 16.300 apresentam velocidade apropriada, mas com Wi-Fi insuficiente (nível 4). As demais 82.600 estão no nível mais alto do indicador, com internet e Wi-Fi adequados, demonstrando que esforços estão sendo feitos para melhorar a estrutura tecnológica nas escolas.
Recursos e Desafios Adicionais
A criação do novo indicador foi uma tentativa de proporcionar uma avaliação mais precisa da conectividade, embora ainda dependa das informações fornecidas pelos gestores escolares. Em abril de 2025, por exemplo, apenas 15 mil escolas eram consideradas com conexão adequada, apesar de falharem em atender às demandas reais da comunidade escolar, conforme reportado pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Os dados de março mostram que 138.086 escolas foram contabilizadas, o que representa um acréscimo de 239 instituições em relação ao mês anterior, de acordo com a organização Fiquem Sabendo, que atua na transparência pública. O MEC informou que esse aumento é resultado da dinâmica natural da rede escolar.
Para facilitar a conectividade nas escolas, o governo desbloqueou recursos provenientes do leilão do 5G, além de alocações do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e do orçamento do MEC, totalizando R$ 2,6 bilhões investidos até o momento.
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Desafios Tecnológicos e Necessidades Básicas
Os desafios enfrentados pelas escolas vão além da conectividade. Segundo a análise do Censo Escolar realizada pela MegaEdu, entidade vinculada à Fundação Lemann e parceira do MEC, menos da metade das escolas públicas (46%) possui um número adequado de computadores. Além disso, um em cada três estabelecimentos educacionais não conta com dispositivos suficientes para os alunos.
A CEO da MegaEdu, Cristieni Castilhos, destaca que, embora haja um avanço na região Norte, onde 62,5% das escolas já têm conectividade adequada, o progresso ainda está aquém da média nacional. O investimento e a execução dos recursos destinados à tecnologia são fundamentais para garantir um ensino de qualidade.
Execução de Recursos e a Realidade dos Estados
Um dos principais obstáculos identificados é a falta de execução dos R$ 1,97 bilhão que, segundo a lei de 2021, deveria ser utilizado para melhorar a conectividade nas escolas. Essa lei, aprovada como medida emergencial durante a pandemia, teve os recursos disponibilizados apenas em 2022, após um impasse judicial no governo anterior. Com rendimentos acumulados, o total chegou a R$ 4,1 bilhões, que, caso não sejam utilizados ainda este ano, retornarão ao Tesouro Nacional.
Cerca de metade do saldo disponível está concentrada em quatro estados: Rio de Janeiro (R$ 271,5 milhões), Minas Gerais (R$ 262,8 milhões), Amazonas (R$ 159,5 milhões) e Maranhão (R$ 141,3 milhões). O Rio de Janeiro anunciou que planeja destinar metade dos recursos para a compra de chromebooks e a outra metade para melhorar a infraestrutura de Wi-Fi nas escolas. Minas Gerais, por sua vez, alega ter utilizado cerca de R$ 151 milhões e contesta os dados do governo federal, afirmando que apenas R$ 4,3 milhões permanecem disponíveis.
A Secretaria de Educação de São Paulo também reconhece a importância da conectividade e afirma que os números do Censo mostram um aumento na proporção de escolas com acesso à internet, alcançando 98,5% em 2025. A secretaria, no entanto, reforça que os valores mencionados se referem a rendimentos e restos a pagar, e que propostas para aplicação dos recursos já estão em andamento.
O Acre, por sua vez, declarou que está comprometido em otimizar os recursos públicos para evitar sobreposição e tem como meta chegar a 85% de cobertura na rede estadual até 2026.
O Papel da Tecnologia na Educação
Para Nelson Pretto, professor da Universidade Federal da Bahia, a continuidade da conexão das escolas é vital, especialmente em um cenário onde a inteligência artificial está cada vez mais presente e o uso de celulares foi restringido. Ele ressalta a necessidade de que a internet seja um espaço construído coletivamente, onde professores e alunos possam ser protagonistas na criação de conteúdos. Pretto defende a realização de um mutirão nacional de informações para garantir que essas tecnologias sejam utilizadas de forma efetiva.
Christieni Castilhos, por sua vez, enfatiza que a tecnologia deve ter um papel ativo nas salas de aula, acompanhada de uma intencionalidade pedagógica, para que seu impacto na educação seja realmente significativo.

