Aumento de Notificações de Escorpiões em Londrina
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Londrina alerta para o aumento das notificações relacionadas a escorpiões na cidade. Em 2026, até o início de abril, foram registradas 632 ocorrências, sendo 515 relacionadas a avistamentos e 117 a picadas. Comparando com 2025, onde foram contabilizadas 2.282 notificações, o cenário é preocupante. O número de escorpiões avistados naquele ano foi de 1.784, enquanto que os acidentes escorpiônicos somaram 498. Felizmente, não houve registros de óbitos decorrentes das picadas.
No atual ano, as notificações concentram-se, majoritariamente, nas regiões oeste e leste de Londrina. A região oeste é responsável por 29,2% das ocorrências, enquanto a leste acumula 25,3%. Em 2025, os números foram semelhantes: 26,9% na região oeste e 26,2% na leste, com as regiões sul e rural apresentando números bem menores.
Os dados mostram que a incidência de escorpiões tende a aumentar nos meses mais quentes e chuvosos, especialmente entre dezembro e março. Esse aumento se deve às condições climáticas que favorecem a circulação dos animais, destacando ainda mais a necessidade de estratégias de prevenção no início do ano.
Importância da Prevenção e Vigilância
Nino Ribas, gerente de Vigilância Ambiental da SMS, observa que os primeiros meses de 2026 já apresentam um número elevado de casos, especialmente em fevereiro e março, superando os registros do ano anterior. Ele enfatiza que o controle da situação depende tanto da ação das equipes de campo quanto da colaboração da população. “É fundamental que os moradores colaborem na eliminação de criadouros e na redução do risco de acidentes”, destaca Ribas.
No estado do Paraná, os dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) revelam que 2025 registrou 8.117 ocorrências de escorpiões, um aumento de 24,4% em comparação a 2024, que teve 6.523 casos. Nesse período, três mortes por picadas de escorpião foram registradas na região do norte pioneiro.
Ações de Controle e Monitoramento
Para enfrentar esse aumento nas notificações, a Vigilância Ambiental de Londrina intensificou suas ações, especialmente nas áreas com maior incidência. As equipes realizam vistorias em imóveis e áreas públicas prioritárias, orientando moradores sobre medidas de prevenção e controle.
Além disso, o município utiliza “abrigos”, dispositivos instalados em locais estratégicos que ajudam a identificar a presença de escorpiões e controlar sua população. Hoje, Londrina conta com mais de 700 abrigos distribuídos em áreas críticas. “Esses abrigos são essenciais para monitorar e reduzir a população de escorpiões, permitindo uma avaliação precisa e contribuindo para a diminuição da incidência desses animais”, explica Ribas.
Espécies Comuns e Seus Hábitos
Dentre as diversas espécies de escorpião, três são frequentemente encontradas em Londrina: Tityus bahiensis (escorpião marrom), Tityus serrulatus (escorpião amarelo) e Bothriurus sp (escorpião preto). As espécies de maior relevância médica são o escorpião amarelo e o marrom, pois suas picadas podem causar acidentes graves, especialmente em crianças e idosos devido à toxicidade do veneno. Cada fêmea pode dar à luz cerca de 20 filhotes duas vezes ao ano.
Os escorpiões são predadores noturnos, se ocultando durante o dia em locais escuros e úmidos, como troncos de árvores e pedras. Eles se alimentam principalmente de baratas, que são atraídas por ambientes com matéria orgânica, lixo e entulhos, o que pode levá-los a invadir residências e outros locais.
Medidas de Prevenção em Casa
De acordo com a SMS, a prevenção é a principal estratégia para o controle de escorpiões. Entre as recomendações, estão: vedar frestas e buracos, instalar telas em janelas e ralos, e manter berços e camas afastados das paredes. É crucial manter a casa e o quintal limpos, evitando entulhos e lixo acumulado, e acondicionar o lixo em recipientes fechados para não atrair baratas.
Além disso, a SMS recomenda cuidados durante a limpeza de quintais, como o uso de luvas e calçados fechados, e a verificação de roupas e calçados antes de usá-los. O uso de inseticidas domésticos não é considerado eficaz e pode, ao contrário, espalhar os escorpiões.
Orientações em Caso de Picadas
Se ocorrer uma picada, a SMS orienta que o local seja lavado com água e sabão e uma compressa morna seja aplicada. Não se deve manusear o escorpião diretamente, mas sim capturá-lo com segurança, se possível, para facilitar a identificação da espécie. A pessoa afetada deve procurar atendimento médico urgente na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no Centro de Informação Toxicológica do Hospital Universitário. “É importante receber atendimento médico rapidamente, uma vez que todas as espécies podem inocular veneno, e a gravidade depende da localização da picada e da resposta individual de cada paciente”, completa Ribas.
Além disso, a SMS solicita que a população notifique a Vigilância Ambiental em caso de avistamento de escorpiões, mesmo sem incidentes registrados. Essa notificação ajuda as equipes a realizar buscas e monitoramento de outras áreas. Os contatos para avisos são (43) 3372-9407 e (43) 3372-9791.

