Denúncia do Ministério Público
O Ministério Público do Paraná, através da 20ª Promotoria de Justiça de Londrina, formalizou nesta segunda-feira (6) uma denúncia criminal contra a vereadora Anne Moraes, popularmente conhecida como Anne da Ada. As acusações se referem a uma série de infrações que teriam ocorrido enquanto a vereadora estava à frente da Associação Defensora dos Animais de Londrina (ADA).
A Promotoria de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo, sob a liderança da promotora Révia Aparecida Peixoto de Paula Luna, identificou práticas alarmantes associadas à parlamentar. Entre as infrações mencionadas estão maus-tratos a animais, poluição ambiental e o descarte irregular de resíduos. Além disso, a denúncia também aponta para a suspeita de tráfico de medicamentos controlados, devido à manutenção indevida de substâncias entorpecentes e psicotrópicas. Os supostos crimes teriam se desenvolvido entre janeiro de 2019 e maio de 2025, período em que a associação recebeu cerca de mil animais domésticos e de produção.
O MP, a partir da análise das irregularidades, já havia solicitado uma intervenção na ADA Londrina, atualmente sob a direção da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Essa intervenção se fez necessária devido a indícios de maus-tratos, péssimas condições estruturais e a suspeita de desvio de recursos e doações recebidas pela entidade.
Crimes Ambientais e Medidas Cautelares
A denúncia que foi protocolada na Justiça relaciona uma série de crimes tanto ambientais quanto sanitários. Dentre as acusações, destacam-se o descarte inadequado de carcaças de animais e a guarda de substâncias controladas sem quaisquer justificativas válidas. Como parte das medidas cautelares, a Promotoria solicitou que a vereadora seja submetida a monitoramento eletrônico, tenha a guarda de animais proibida, precise entregar imediatamente quaisquer animais que estejam sob sua responsabilidade e seja impedida de se aproximar da nova sede da ADA Londrina.
É importante ressaltar que o MP levantou indícios de que a parlamentar estaria acumulando novos animais em sua residência, o que agrava ainda mais a situação. Em caso de condenação, a Promotoria também pede que seja determinada uma indenização mínima de R$ 1,4 milhão, relacionada aos danos materiais decorrentes da gestão da entidade.
Posicionamento da Vereadora
Recentemente, em entrevistas concedidas a diversos canais de televisão, Anne Moraes se declarou inocente das acusações. Ela afirmou ser alvo de perseguição política e manifestou sua intenção de comprovar, na Justiça, a veracidade de sua versão sobre os fatos. Essa defesa acirrada sugere que a vereadora está disposta a lutar contra as acusações que, segundo ela, são infundadas e motivadas por interesses que vão além das questões relacionadas à Associação.
A situação em Londrina, além de evidenciar o papel da justiça no combate a crimes ambientais, ressalta a importância de uma gestão ética e responsável nas entidades que cuidam de animais. Os desdobramentos desse caso serão acompanhados de perto pela sociedade, que aguarda uma resolução justa e transparente.

