Crise no PSB da Paraíba
A situação do PSB na Paraíba se agrava à medida que se aproxima o fim da janela partidária. Nos últimos dias, o partido viu a migração de quase todos os seus pré-candidatos a deputado estadual e federal para outras legendas, principalmente para os Republicanos, de Hugo Motta, e os Progressistas, de Aguinaldo Ribeiro. Essa movimentação, a princípio, não surpreende, dado o descontentamento crescente entre os membros do partido, que têm apontado a falta de articulação política do ex-governador João Azevêdo, presidente estadual da sigla.
Na Assembleia Legislativa, os socialistas estão quase em minoria, contando apenas com a presença de Chico Mendes. Recentemente, perderam figuras importantes como João Gonçalves, Tanilson Soares e Júnior Araújo, que se juntaram ao Progressistas de Aguinaldo. Tião Gomes também se transferiu para os Republicanos, enquanto Hervázio Bezerra optou pelo MDB. Na Câmara Federal, Gervásio Maia deixou o PSB e se filiou ao PC do B.
Além dessas saídas significativas, o PSB também despediu-se de ex-auxiliares de Azevêdo, como Pollyanna Werton e Ricardo Barbosa, que aceitaram propostas de Aguinaldo e se mudaram para o Progressistas. Outros como Jarques Lúcio, ex-prefeito de São Bento, e George Coelho, presidente da Famup, também migraram para o Republicanos. Outro nome relevante que se afastou foi o médico Jhony Bezerra, que, após ser pré-candidato pelo PSB, agora se encontra no PSD.
Atualmente, os pré-candidatos restantes na sigla, até o momento, incluem o deputado Chico Mendes, o ex-secretário Tibério Limeira, Lídia Moura e o ex-prefeito de Sousa, Fábio Tyrone, que tenta reverter uma decisão de inelegibilidade. A recuperação do partido, que até pouco tempo atrás contava com o apoio do governador, se mostra desafiadora, tendo em vista a fragmentação de seus apoios, agora repartidos entre Aguinaldo e Hugo Motta.
A gestão de João Azevêdo, à frente do PSB, certamente não manterá o tom assertivo que tinha ao ser questionado pela imprensa sobre as nominatas de seu partido. Com as recentes debandadas na chapa proporcional, o presidente da sigla precisará estar atento para evitar novos desfalques, que poderiam afetar, inclusive, sua própria candidatura ao Senado, que já gera questionamentos e incertezas.
Futuro Incerto para o PSB
O PSB da Paraíba, que um dia foi forte na cena política estadual, vê sua influência se dissipar à medida que seus integrantes buscam novas opções. O descontentamento, que se tornou evidente nas declarações de membros da legenda, revela uma insatisfação que poderá trazer consequências ainda mais graves para o partido. O cenário atual sugere que, se a situação não for gerida com cautela, a sigla poderá enfrentar uma crise profunda, com a perda de sua identidade e relevância nas próximas eleições.
As movimentações recentes e a fragmentação de apoios revelam que a política paraibana está em constante transformação. As alianças que antes pareciam sólidas agora se mostram vulneráveis, e o PSB deve se reorganizar rapidamente se quiser evitar um colapso ainda maior. A atenção de Azevêdo, portanto, deve ser redobrada nas próximas semanas, considerando que a dinâmica política pode mudar a qualquer momento e que novos desafios podem surgir, exigindo estratégias que ainda não foram elaboradas.

