Mudanças na Comunicação
Após se tornar um fenômeno nas redes sociais com as danças ao som do funk “Zero Um, Novo Capitão” em eventos na Paraíba e em Rondônia, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem refletido sobre sua imagem política. Recentemente, Flávio tem consultado aliados sobre a recepção de suas performances, que foram alvo de brincadeiras, como a do deputado federal Gustavo Gayer (PL), que o comparou a um “orangotango” no palco. No entanto, conselheiros de imagem o alertaram sobre a percepção de immaturidade que essas ações poderiam transmitir, especialmente para um potencial candidato à presidência. Diante disso, Flávio decidiu não repetir tais comportamentos, em um esforço claro para melhorar sua postura pública.
Na busca por reduzir a rejeição em relação ao sobrenome Bolsonaro, Flávio tem demonstrado disposição para ouvir mais os profissionais de comunicação, em contraste com a abordagem improvisada de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Recentemente, suas ações na internet têm sido mais calculadas, como ao usar uma camisa com a frase “pai de menina” e manter silêncio sobre o caso Master. As danças em público, segundo fontes, foram influenciadas por gestos de campanhas de líderes como o argentino Javier Milei e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sem um planejamento prévio.
Alianças Estratégicas
Nos últimos dias, Flávio tomou mais uma atitude significativa em sua comunicação política, ao decidir contratar um desafeto de seu irmão Carlos para auxiliá-lo na estratégia digital para 2026. Ele está prestes a fechar um contrato com Marcos Carvalho, que coordenou as redes sociais durante a primeira campanha ao Planalto de Jair Bolsonaro. Carlos e Carvalho tiveram um desentendimento sério em 2018, que culminou na saída deste último da equipe de transição logo após a vitória frente a Fernando Haddad, do PT.
Na época, Carlos expressou seu descontentamento com o protagonismo que Carvalho recebeu na cobertura da mídia, o qual o referenciou como “marqueteiro digital”. A relação tumultuada entre eles, que inclui acusações e desavenças, trouxe um novo sentido às movimentações de Flávio na política.
Recursos e Investimentos nas Eleições
Com o fundo eleitoral do PL, Flávio se vê diante de uma nova realidade financeira, com recursos disponíveis substancialmente maiores para a guerra digital. Na eleição de 2018, a prestação de contas da campanha de Jair Bolsonaro, que foi realizada pelo PSL, revelou um gasto de aproximadamente R$ 650 mil com a AM4, agência de Marcos Carvalho. Já na última eleição, o ex-presidente desembolsou R$ 29 milhões em impulsionamento nas redes sociais, de um total de R$ 67 milhões para toda a propaganda. Flávio acredita que poderá investir até mais que seu pai, com estimativas de que o PL triplique os valores do fundo eleitoral, alcançando cerca de R$ 900 milhões.
Uma Nova Visão para a Campanha
Com tantos recursos disponíveis, Flávio busca um nome de peso no marketing político para liderar sua campanha. Ele está em conversação com Paulo Vasconcelos, responsável pela estratégia vitoriosa de Cláudio Castro na eleição de 2022 no Rio, além de ter sido considerado por Fuad Noman, que também se destacou em campanhas passadas. Contudo, Vasconcelos encontra-se vinculado a um contrato com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que surge como um candidato forte à presidência.
Outro nome que está em análise é Renato Pereira, ex-marqueteiro de figuras como Eduardo Paes e Sérgio Cabral, atualmente trabalhando na campanha de Romeu Zema (Novo) e já sondado para outras campanhas. O cenário para a relação entre Flávio e Carlos Bolsonaro é visto como um ponto sensível por todos os profissionais que são abordados para colaborar com o senador. A rivalidade entre eles, que se agravou em 2018, ainda ecoa nas decisões estratégicas de Flávio.
Enquanto Flávio busca novas formas de se projetar, a sombra de Carlos, que se destaca por suas constantes críticas ao marketing político, permanece. Em 2022, Carlos disse que continuaria seu trabalho independente das estratégias de marketing, revelando uma tensão que pode impactar futuras decisões em sua nova jornada política.

