Movimento de Desfiliação de Prefeitos em Curitiba
Na manhã desta quinta-feira (26), um grupo significativo de prefeitos que foram eleitos pelo PL em 2024 anunciou sua decisão de deixar o partido em favor do candidato ao governo do Estado, apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD). Essa movimentação tem seu início após a filiação do senador Sergio Moro, que abandonou o União Brasil para concorrer ao governo pelo PL. O responsável por liderar essa transição é o deputado federal Fernando Giacobo, que, em uma declaração à imprensa, informou que deixou sua posição como presidente estadual do PL na terça-feira (24), data que coincide com a assinatura de Moro na ficha de filiação.
Segundo Giacobo, 48 dos 53 prefeitos do PL no Estado compareceram ao evento de desfiliação, realizado em um hotel no Centro Cívico, em Curitiba. Ele explicou que um prefeito ainda está indeciso sobre a troca de partido, enquanto os demais não puderam estar presentes por compromissos pré-agendados. O prazo final para a troca de partido se aproxima, com a data-limite estabelecida para o dia 3 de abril. Giacobo está se preparando para ingressar no PSD de Ratinho Junior e pode receber um convite para assumir uma secretaria no futuro.
Importância do Apoio Político em Tempos de Mudança
O evento contou com a presença de prefeitos de várias cidades importantes do Estado, incluindo Renato Silva, de Cascavel; Silva e Luna, de Foz do Iguaçu; e Denilson Baitala, de Ponta Grossa. Além do PSD, outros partidos como PP, Solidariedade, Republicanos e União Brasil também devem receber os prefeitos que estão insatisfeitos. Segundo informações, Renato Silva teria recebido um convite para se filiar ao Solidariedade.
A maioria dos prefeitos presentes no evento evitou criticar diretamente a figura de Sergio Moro, e optaram por justificar sua desfiliação com um compromisso político junto a Ratinho Junior. No entanto, Giacobo foi firme em sua posição, afirmando que não poderia permanecer no partido e apoiar Moro, que ele considera ter criticado ferozmente o governo de Jair Bolsonaro. Após deixar o Ministério da Justiça em maio de 2021, Moro havia declarado que pretendia derrubar o presidente e criticou sua gestão por tentar controlar a Polícia Federal.
“Não posso simplesmente ignorar minha história. Está sendo uma decisão difícil, mas como posso apoiar quem, ao sair do Ministério, fez acusações tão graves contra o presidente da República?”, questionou Giacobo durante o evento. Ele continuou: “Eu não posso estar ao lado de alguém que disse ao depor na Polícia Federal que havia uma sala no Palácio do Planalto chamada gabinete do ódio. Não tenho como me associar a isso.”
Reações e Desdobramentos
O prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Micheletto, ressaltou que Sergio Moro havia tentado se candidatar ao Senado por São Paulo, e mencionou a eleição de sua esposa, Rosângela Moro, como deputada federal. Micheletto enfatizou a necessidade de respeito e princípios acima das alianças partidárias. “Recentemente, os parlamentares do PL falavam que o governador é o melhor do Brasil, e agora, de uma hora para outra, vem uma ordem de cima para baixo para abandoná-lo. Não seremos ingratos com quem tem a maior aprovação entre os cidadãos,” afirmou.
O prefeito de Foz do Iguaçu, Joaquim Silva e Luna, também se manifestou, afirmando que não pode ser desleal ao governador Ratinho Junior, com quem sempre teve um relacionamento de apoio mútuo. “Perdi o direito de ter medo e de ser desleal, pois sempre recebi apoio dele em todas as minhas iniciativas,” afirmou Silva e Luna.
Resistência de Moro e Filipe Barros
Por outro lado, Sergio Moro e Filipe Barros se preparam para uma série de reuniões com o objetivo de convencer os prefeitos a permanecerem no PL. Em nota, Barros declarou: “Assumi o partido por determinação do presidente nacional, Valdemar Costa Neto. Com responsabilidade e respeito, e ao lado do nosso pré-candidato a governador, Sergio Moro, vamos dialogar com todos os envolvidos.”
Moro formalizou sua filiação ao PL na terça-feira (24), em Brasília, junto com figuras como Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro. O acordo do partido inclui apoio à candidatura do ex-procurador Deltan Dallagnol (Partido Novo) ao Senado, o que poderá resultar em uma chapa que inclua Dallagnol e Barros como candidatos.
Candidaturas para o Governo do Estado
O secretário estadual das Cidades, Guto Silva, que inicialmente era cotado para ser o candidato ao governo pelo PSD, deve ser deslocado para a posição de candidato a vice ou até mesmo suplente de senador. O nome que tem ganhado destaque na disputa interna do PSD é o do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, que Ratinho Junior está tentando convencer a se desincompatibilizar de sua função na prefeitura para disputar o governo. Isso ocorre em um contexto onde, caso Pimentel aceite, a prefeitura da capital possivelmente será administrada pelo Novo, partido que, se concretizar essa mudança, se tornaria o primeiro a governar a capital.
Na mesma data em que Moro firmou sua filiação ao PL, o diretório estadual do Novo anunciou apoio à candidatura do ex-juiz ao governo. A nota do partido enfatiza a formação de uma união entre Novo e PL, visando um projeto sólido para o Paraná, com foco em eficiência, responsabilidade fiscal e combate à corrupção. Adicionalmente, Ratinho Junior também enfrenta a perda de apoio do MDB, que apresentou Rafael Greca como pré-candidato ao governo.

