Encontro Inspirador no Mês da Mulher
Na manhã da última terça-feira, 24 de março, cerca de 20 mulheres do Assentamento Fazenda Alto Alegre, localizado no distrito de Lerroville, zona sul de Londrina, participaram de um evento marcante. O Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR) promoveu uma palestra e um bate-papo musical como parte da programação do Mês da Mulher, iniciativa da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM).
A psicóloga da Secretaria, Lisnéia Aparecida Rampazzo, com mestrado em Serviço Social e Política Social pela Universidade Estadual de Londrina, foi a responsável pela palestra “Protagonismo da mulher rural”. Durante sua apresentação, Lisnéia enfatizou a importância de reconhecer e valorizar o papel da mulher na agricultura familiar. “O objetivo da palestra foi trabalhar o protagonismo da mulher rural, ressaltando a importância de assumir o controle, tanto na gestão da agricultura quanto no âmbito familiar”, comentou. Ela fez uma analogia entre a vida das mulheres e os roteiros de novelas, destacando que, ao contrário das coadjuvantes, as protagonistas têm papéis fundamentais. “A construção desse papel começa pelo autoconhecimento e pela valorização dos próprios direitos”, complementou.
A Música Caipira como Ferramenta de Reflexão
O evento contou ainda com a participação especial de um grupo de mulheres que pesquisa a contribuição feminina na formação do repertório musical caipira, uma tradição profundamente enraizada na cultura do norte do Paraná. O projeto, financiado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Londrina (Promic), está em sua fase inicial de desenvolvimento, que culminará em um espetáculo. No entanto, já proporcionou ricas trocas de experiências entre as participantes, conforme relatou Nilma Raquel, coordenadora do projeto e também jornalista, escritora, atriz e cantora com 30 anos de caminhada na pesquisa da música caipira. “Este primeiro contato foi um privilégio. O retorno foi incrível, com muitas mulheres cantando as músicas. Isso possibilitou reflexões importantes sobre as realidades femininas”, destacou Nilma.
Como exemplos de discussão, Nilma mencionou a canção “Chalana”, que foi registrada pela primeira vez na década de 1950 por um duo de mulheres negras, mas que não alcançou a notoriedade de versões posteriores. Outro clássico em pauta foi “Cabocla Tereza”, uma composição dos anos 1940 que foi adaptada em várias gravações e até virou filme. “Estudos sobre essa música muitas vezes a classificam como uma grande história de amor, mas ela também reflete um feminicídio”, observou Nilma.
Protagonismo e Valorização Feminina
A psicóloga Lisnéia Rampazzo considerou o encontro musical muito enriquecedor. “A música caipira trouxe à tona o protagonismo feminino e a necessidade de valorização das mulheres. O grupo mostrou que, frequentemente, as mulheres são retratadas de forma estigmatizada. Por isso, unimos teoria e prática para refletir sobre a necessidade de nos valorizarmos e de exercermos nosso poder de escolha”, concluiu.

