Mobilização em Favor da Educação e Justiça Salarial
A luta pela justiça salarial entre professores e funcionários de escola no Paraná ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (23), quando educadores voltaram a se reunir nas galerias da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). O objetivo da mobilização é pressionar o governador Ratinho Júnior (PSD) a atender as demandas da categoria, que estão ligadas às pautas da campanha salarial de 2026.
Entre as reivindicações principais estão a reposição anual das perdas inflacionárias, conhecida como data-base, além de uma reforma na carreira docente que inclua a equiparação salarial. Também é solicitado o ajuste nas tabelas salariais e o reconhecimento do tempo de serviço para os funcionários de escola. Outro ponto crucial é a reposição salarial para todos os aposentados e a criação de uma legislação que assegure uma correção específica para aqueles que não possuem paridade, sendo o desconto previdenciário proposto apenas para aposentados que ganham acima do teto do INSS, atualmente fixado em R$ 8.475,54.
A lista de reivindicações ainda inclui a necessidade de pagamento das promoções e progressões, além do descongelamento de quinquênios e anuênios que estão parados desde a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A campanha salarial de 2026 foi formalmente aprovada pelos educadores durante uma assembleia estadual realizada em fevereiro deste ano.
Os educadores e funcionários de escola solicitam que o governador encaminhe com urgência os projetos de lei necessários para que os parlamentares possam analisá-los e permitir que a tramitação ocorra antes das eleições. Conforme informações do Portal Verdade, após intensa pressão dos servidores, o líder do governo na ALEP, deputado Hussein Bakri (PSD), anunciou na última terça-feira (17) que os projetos referentes a essas reivindicações devem ser enviados à Assembleia em até duas semanas. Contudo, até o momento, não houve um pronunciamento oficial por parte do governador.
A mobilização, intitulada “Vigília por Justiça Salarial”, surge em decorrência de uma assembleia da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Paraná), realizada no último sábado (21), onde foi aprovada a deliberação de estado de greve. Durante todo o dia da vigília, representantes da APP visitaram gabinetes parlamentares, discutindo e apresentando materiais que evidenciam a defasagem salarial que já acumula 52%.
Walkiria Mazeto, presidenta da APP-Sindicato, destacou a importância das conversas com os deputados, mencionando que mensagens foram enviadas também para secretários de Estado e para a Casa Civil, visando garantir que os projetos sejam apresentados à ALEP. “Ainda temos muito a lutar. Para aqueles que estão nas escolas, a pressão deve continuar”, enfatizou Mazeto.
“Precisamos entender o conteúdo dos textos que o governo planeja enviar à ALEP. Vamos lutar para aprimorar esses projetos, se necessário, pois é fundamental garantir a data-base para todos, que inclui aposentados sem paridade, a correção das carreiras dos funcionários, a reforma da carreira e a equiparação para os professores, além do desbloqueio das nossas promoções e progressões”, completou a líder sindical.
De acordo com um levantamento realizado pela APP, enquanto outros servidores com ensino superior recebem, em média, R$ 7,9 mil como salário inicial, os professores têm uma remuneração de R$ 4,9 mil no início da carreira, resultando em uma diferença alarmante de 37%.

