A Integração entre Economia e Sustentabilidade é Urgente
Durante uma aula magna na Universidade Estadual de Maringá (UEM), o diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri, declarou que o desenvolvimento econômico não pode mais ser visto separadamente da sustentabilidade ambiental e da inclusão social. O evento ocorreu na noite desta segunda-feira (23) e teve como tema central “O Desenvolvimento Econômico Sustentável no Brasil”.
Verri destacou que a crise climática, antes considerada uma possibilidade futura, se tornou uma realidade palpável, com consequências já observadas no dia a dia da população. “Não há mais espaço para previsões. A crise está presente e exige uma adaptação imediata”, afirmou, referindo-se a eventos climáticos extremos, como secas severas e inundações que afetam diversas regiões do Brasil.
Para o diretor, a solução para esse cenário desafiante reside na transição energética, que envolve a troca gradual de fontes de energia fósseis por alternativas sustentáveis. Entretanto, ele ressalta que o maior obstáculo global está relacionado ao financiamento dessa transição. “É consenso que precisamos mudar, mas quem arcaria com esses custos? Essa é a questão prioritária, especialmente para os países em desenvolvimento”, observou.
Além disso, Verri alertou sobre a desigualdade exacerbada pela crise climática, que afeta desproporcionalmente as populações mais vulneráveis. “Essa crise tem um viés social. Atinge mais aqueles que residem em áreas de risco, nas periferias e nos países do Sul Global”, pontuou.
Um Novo Paradigma de Desenvolvimento
Em sua fala impactante, o diretor defendeu a necessidade de um novo paradigma de desenvolvimento que una as dimensões econômica, social e ambiental. “Se não for sustentável, não é desenvolvimento”, enfatizou, sublinhando a importância de incorporar esta perspectiva na formação dos economistas do futuro.
O Brasil foi apresentado por Verri como um modelo internacional no contexto energético, devido à sua matriz energética predominantemente limpa. Ele destacou a relevância estratégica das hidrelétricas, especialmente a usina de Itaipu, para assegurar a segurança energética do país. “Embora fontes como solar e eólica sejam cruciais, elas apresentam intermitências. As hidrelétricas oferecem energia estável, funcionando como uma bateria para o sistema”, explicou.
O potencial do Brasil para liderar a economia verde também foi enfatizado, com foco na atração de investimentos e na exportação de tecnologias inovadoras. Verri mencionou estudos desenvolvidos pela Binacional e pelo Itaipu Parquetec em áreas como biogás, biometano, hidrogênio verde e SAF, combustível sustentável para aviação, como exemplos de avanço nesse sentido.
Responsabilidade Compartilhada na Crise Climática
Ao encerrar sua palestra, Verri ressaltou que, apesar dos progressos do Brasil, a solução para a crise climática depende de um esforço coordenado em nível global. “Estamos no caminho certo, mas não podemos resolver isso sozinhos. Se as grandes economias não se comprometem com a transição energética, enfrentaremos dificuldades para garantir um futuro sustentável para o planeta”, concluiu.

